6 recomendações para profissionalizar o negócio da soja e do milho

Saiba como aperfeiçoar a gestão, organizar o fluxo de caixa e engajar colaboradores para cuidar da sua fazenda

O andamento dos controles na fazenda, o planejamento financeiro e vários detalhes na gestão determinam se o negócio rural será bem-sucedido ou não. No entanto, muitos produtores de soja e milho ainda não despertaram para a necessidade de melhorar a gestão da fazenda. “Muitas vezes, o produtor não se preocupa com a gestão do negócio”, afirma João Paulo Prado, sócio-gestor da consultoria MPrado, de Uberlândia (MG). Confira 6 orientações para mudar essa realidade.


1 – Gestão profissional

Dificuldades na gestão do negócio de soja e milho ocorrem por questões culturais. “O produtor fica arredio quando a gente fala em gestão. Ele tem movimentações de uma empresa de médio porte, mas não se enxerga como empresário. Ele ainda sente dificuldades na gestão”, diz Prado. Um exemplo de dificuldade é sacar dinheiro da fazenda para custear despesas pessoais do agricultor e de sua família. “Misturar pessoa jurídica com pessoa física é um problema. A gente precisa estabelecer um pro-labore para retiradas mensais do produtor”, explica Prado.

Para mudar esse cenário, Prado orienta que o caminho é profissionalizar a gestão, começando pelo mapeamento dos custos de produção, planejamento de safra, avaliação dos resultados anteriores. Segundo o especialista, os produtores controlam as grandes compras, mas não costumam fazer um acompanhamento adequado de pequenas despesas.
No final da safra, a soma dos gastos que passam despercebidos gera um grande impacto financeiro. “Para ter boas práticas de gestão, o produtor precisa ter o controle de todos os custos”, recomenda Prado. Outra recomendação importante é sempre realizar o planejamento de safra e, após a colheita, fazer a avaliação entre o que foi orçado e realizado para otimizar os recursos no próximo plantio.


2 - Fluxo de caixa

Um estudo realizado pela MPrado entrevistou mais de 100 produtores donos de terras com mais de 4 mil hectares. A pesquisa revelou que 76% dos produtores não tinham um plano financeiro bem definido. Foram avaliadas questões como fluxo de caixa, endividamento, planejamento orçamentário e gestão dos custos.

O resultado é alarmante. Na prática, significa que as finanças não são controladas devidamente e isso se reflete em dificuldade de contratar crédito e alto endividamento. “Às vezes o produtor faz compras e não sabe como vai pagar. Infelizmente, isso é muito comum no agronegócio”, diz Prado. “Em várias situações, na tentativa de resolver um problema, ele assume compromissos que tem dificuldade de honrar.

”Para auxiliar o produtor na organização financeira, a consultoria MPrado oferece o serviço Lavoura em Números, que pode ser resgatado por pontos na Rede AgroServices (confira ofertas de serviços aqui). O serviço consiste em módulos personalizados de acordo com as necessidades do cliente. Por meio de visitas e avaliações, a consultoria MPrado realiza uma análise de custos da produção de soja e milho e identifica os problemas financeiros da fazenda. Após a análise detalhada, a consultoria apresenta um planejamento de gestão e fluxo de caixa.

3 - Máquinas agrícolas

É muito importante ter uma gestão eficiente da frota agrícola. Segundo Prado, o controle correto permite planejar com antecedência a renovação da frota ou a sua terceirização. Entre as vantagens, o produtor pode reservar capital próprio para o investimento em maquinário e depender menos de capital dos bancos. “É preciso ter tempo para se planejar, buscar alternativas e escolher o melhor caminho para investir, a terceirização é uma opção a ser considerada. A consultoria vem para ser uma aliada do produtor nessa decisão”, diz Prado.

4 - Gestão de estoques

De acordo com Prado, estoque significa dinheiro imobilizado. Para evitar desperdícios ou perdas de estoques, é ideal ter um bom planejamento antes de cada safra porque problemas de gestão dos estoques impactam no fluxo de caixa. “Para que o produtor tenha uma gestão por resultado, a gente precisa avaliar tudo que foi orçado e a necessidade de capital de giro. O objetivo é que a gente aja de forma preventiva e não corretiva”, diz Prado. Além disso, é importante observar sempre a data de validade dos produtos para evitar perdas.


5 - Infraestrutura

Aportes que demandam muito capital, como o investimento em silos, devem ser planejados cuidadosamente. Segundo Prado, a recomendação é prevenir erros no cálculo de dimensionamento e evitar prejuízos. “O produtor precisa entender a real necessidade da estrutura de silos e qual seria o retorno desse investimento, se vai armazenar para uso próprio ou para outras pessoas”, afirma Prado. “Ele precisa tratar o investimento em armazenagem como um outro negócio que também precisa trazer resultados positivos.”


6 - Recursos humanos

Os operadores utilizam maquinários que podem ultrapassar o valor de R$ 1 milhão. Para zelar pela vida útil desse patrimônio, é fundamental que os funcionários sejam bem instruídos e capacitados. Além da capacitação adequada, o produtor também pode criar mecanismos que estimulem a maior dedicação dos funcionários.

De acordo com Prado, uma das sugestões é criar uma remuneração variável para toda a equipe da fazenda, para que ela seja focada em resultados. “A remuneração variável permite incluirmos métricas para que a equipe se engaje melhor dentro do negócio agrícola. Como exemplo, podemos criar uma métrica para os operadores e podemos condicionar a remuneração ao zelo pelos equipamentos”, afirma Prado. “A gestão de pessoas tem um papel muito importante no agronegócio. A gente precisa estimular a equipe a vestir a camisa da empresa.”

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