Sete benefícios dos transgênicos

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Além de promover economia e sustentabilidade no campo, o cultivo de organismos modificados pode elevar a produção e melhorar o valor nutritivo dos alimentos

Plantas transgênicas, como se sabe, são criadas a partir de um trabalho científico que retira ou insere na semente genes com determinadas características. Trata-se de uma inovação que vem sendo cada vez mais usada na agricultura. Só este ano, sua utilização deve crescer 3,9% no Brasil, segundo pesquisa da consultoria Céleres. O País ocupa o segundo lugar no ranking de produtores de transgênicos no mundo, atrás dos Estados Unidos. Aqui, os organismos geneticamente modificados representam cerca de 90% das plantações de soja, milho e algodão e ocupam uma área de 44,2 milhões de hectares.

Os primeiros transgênicos foram desenvolvidos nos Estados Unidos há mais de 40 anos. Eles são criados principalmente para aumentar a produtividade da lavoura. Em geral, são mais resistentes a pragas e doenças e permitem a redução do uso de herbicidas e pesticidas.

Como muitas inovações científicas, foram e ainda são alvo de desconfiança em relação à sua segurança, o que aumenta o rigor em relação aos possíveis efeitos negativos para a saúde humana e o meio ambiente. A Organização Mundial de Saúde, a Associação Médica Americana, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos e a Associação Americana para o Avanço da Ciência já declararam que não há nenhuma evidência científica nesse sentido. "Nenhum estudo mostrou que os transgênicos provocam impacto deletério em comparação com o alimento convencional”, confirma o pesquisador Elibio Rech, do Laboratório de Biologia Sintética da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Segundo o pesquisador, que trabalha com engenharia genética há 35 anos, o oposto é verdadeiro, isto é, já se provou que os transgênicos, além de aumentar a produtividade e reduzir os custos, podem fazer bem para a saúde e para o meio ambiente. “Eles podem ajudar a acabar com a desnutrição no mundo e produzir substâncias úteis para a saúde”, afirma.

Confira a seguir sete conclusões desses estudos.

1. Aumentam a produção de alimentos

Plantas transgênicas resistentes a pragas e doenças se desenvolvem melhor, com menos riscos de perdas de produção e aumento da produtividade. Assim, elevam a oferta de alimentos básicos para a população, como milho, soja, feijão e arroz.

 

2. Geram economia ao agricultor

Mesmo com os custos da aquisição de sementes transgênicas (em que há o pagamento de royalties), agricultores afirmam que o investimento é altamente rentável. Isso porque os organismos mais resistentes proporcionam considerável redução no uso de agroquímicos.

 

3. Reduzem a emissão de gás carbônico

Segundo o estudo Os Benefícios Socioambientais da Biotecnologia Agrícola no Brasil: 1996/97 a 2013/14, realizado pela Céleres, ao exigir menos aplicações de defensivos, as lavouras com transgênicos emitem menos poluentes por tratores e máquinas movidas a diesel. No período analisado, a economia no Brasil chegou a 351,4 milhões de litros de combustível, proporcionando uma redução 931,8 mil toneladas de CO2 na atmosfera. O volume equivale à preservação de 6,9 milhões de árvores de floresta.

 

4. Consomem menos água

Pelo mesmo motivo, ou seja, a redução das pulverizações, foram economizados 42,2 bilhões de litros de água nos 18 anos estudados. O volume é suficiente para atender por uma década as necessidades de 3,1 milhões de pessoas. Como a área plantada com transgênicos vem crescendo, para os próximos dez anos, a previsão é que se economize mais que o triplo disso: 137,9 bilhões de litros de água.

 

5. Criam alimentos mais nutritivos

A ciência já criou ou vem pesquisando modificações genéticas para melhorar os benefícios dos alimentos para a saúde. A Embrapa, por exemplo, desenvolveu uma soja com 90% de ácido oleico, fundamental na síntese dos hormônios. A soja tradicional tem apenas 25% de ácido oleico.

A Embrapa também criou uma variedade de alface transgênica 15 vezes mais rica em ácido fólico do que a convencional. O ácido fólico favorece o desenvolvimento dos fetos, tem importante papel nas funções cerebrais e fortalece o sistema imunológico. A nova alface precisa ainda ser aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) antes de chegar ao campo e à mesa dos brasileiros.

No mundo, há vários projetos em fase de aprovação, como o Golden Rice, na Bélgica (enriquecido com vitamina A); a batata Innate, nos Estados Unidos (menor teor de substâncias cancerígenas na fritura); e uma ração de peixe que aumenta a síntese de Ômega 3, na Grã Bretanha.

 

6. Ajudam a reduzir o gás metano

A pecuária responde por 16% das emissões mundiais de gás metano, o CH4, um dos principais causadores do efeito estufa. O impacto do metano sobre as mudanças climáticas é 20 vezes maior que o do gás carbônico emitido pelos carros. Em 2009, pesquisadores do Instituto AgResearch, da Nova Zelândia, desenvolveram forrageiras geneticamente modificadas que reduzem as emissões do gás metano CH4 pelo gado.

 

7. Recuperam terras improdutivas

A ciência vem trabalhando no desenvolvimento de transgênicos que podem ser cultivados em terras hoje impróprias para a agricultura, como as que apresentam alto teor de sal ou poucos nutrientes. A elevada salinidade dificulta a produção e diminui a disponibilidade de água no solo. Variedades mais tolerantes desenvolvidas em laboratório poderão ser cultivadas, por exemplo, em solos salinos do Nordeste.

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