Rotação de culturas é essencial para controlar pragas, doenças e plantas daninhas

Ao destinar 20% da área de safrinha para a introdução de plantas de cobertura como a braquiária, o produtor melhora o manejo, economiza insumos e eleva a produtividade das lavouras

O plantio de soja e milho em safras sucessivas se consolidou como a aposta comercial de maior sucesso entre os produtores de grãos brasileiros. Porém, ao passar do tempo, esse sistema se torna um prato cheio para a incidência de pragas, doenças e plantas daninhas. Isso ocorre especialmente porque o cultivo sucessivo cria uma “ponte verde” e as pragas continuam se proliferando entre a safra de verão e a safrinha. “Observamos um conjunto de pragas tanto primárias quanto secundárias que têm afetado as culturas da soja e milho, como percevejos, lagartas, cigarrinha e mosca branca”, afirma Carlos Melo, pesquisador do Programa UAI, uma iniciativa exclusiva da Bayer para melhorar o manejo das plantações. O serviço pode ser resgatado por pontos na Rede AgroServices, confira aqui.

Para quebrar esse ciclo, uma prática agrícola muito recomendada é a rotação de culturas. Destinando apenas 20% da área para a diversificação de culturas na segunda safra, é possível mudar o cenário produtivo da fazenda em cinco anos, promovendo o controle integrado de pragas, doenças e plantas daninhas. Além disso, a técnica promove um melhor manejo de solo, sendo também capaz de elevar a produtividade das lavouras e a rentabilidade do produtor.

No entanto, segundo Melo, infelizmente a prática ainda é pouco adotada pelos produtores brasileiros. “Se analisarmos na ponta do lápis, ainda não existe uma rotação de culturas efetiva no Brasil. O que acontece é uma sucessão de safra e segunda safra”, diz o pesquisador. “No Sul do Brasil, vemos um pouco de rotação de aveia com o trigo, mas a maioria dos produtores não tem um plano de rotação bem formado. A Integração lavoura-pecuária também é muito pouco explorada pelo produtor.”

 

Rotação para o controle de pragas

As pragas desafiam o manejo das lavouras a cada safra. As infestações podem aumentar de acordo com as condições climáticas e isso geralmente exige maior aporte financeiro para as aplicações de defensivos. Atualmente, a cigarrinha está desafiando muito as plantações de milho, enquanto que as infestações de mosca branca preocupam especialmente nas lavouras de soja, feijão e algodão. “A mosca branca têm se mostrado de difícil controle. São necessárias aplicações de inseticidas quase semanais e ainda assim o controle não se mostra efetivo”, diz Melo. “Quase toda cultura de interesse comercial pode sofrer danos por mosca branca.”

As lagartas também representam um problema para as duas culturas, mesmo com o uso da biotecnologia com cultivares resistentes. Vale citar também o percevejo marrom, que ataca agressivamente a soja e ainda causa danos na fase inicial de cultivo do milho, prejudicando o stand e a produtividade. “Se o produtor não fizer um bom controle de percevejos na soja, terá uma infestação mais nociva no milho. Os percevejos são um problema sério e podemos ver a perda de eficiência de inseticidas devido ao fato de o produtor fazer aplicações sequenciais da mesma molécula, o que cria insetos resistentes”, alerta o pesquisador Carlos Melo.

Cada vez mais os especialistas recomendam a rotação de culturas para amenizar esse cenário. De acordo com Melo, na região do Cerrado, a introdução de braquiária na segunda safra gera resultados positivos em todos os aspectos e consegue inibir a reprodução de pragas como o percevejo. Já na região Sul do Brasil, as melhores alternativas para a rotação de culturas são o trigo e a aveia preta. “A rotação de culturas têm se mostrado bastante eficiente porque acaba impedindo a multiplicação desses indivíduos, principalmente quando o produtor faz a rotação com gramíneas e leguminosas”, explica Melo.

Para o manejo de nematoides, a depender da espécie que infesta o solo, a recomendação pode ser cultivar crotalária. O combate às lagartas e mosca branca, no entanto, geralmente exige maior esforço. “O manejo de lagartas precisa ser um pouco mais ativo, não basta pensar só na rotação de culturas. Para a rotação, a braquiária somada ao uso de Bacillus thurigienses tem se mostrado efetivo no controle de lagartas, como a lagarta-da-soja. Já a mosca branca, por ser um inseto com multiplicação acelerada, não tem solução simples. O produtor deve fazer a rotação de culturas aliada ao uso de inseticidas para fazer o controle de forma efetiva”, explica Melo.

 

Manejo de doenças e plantas daninhas

As lavouras podem ser prejudicadas por doenças de solo causadas por fungos como o Fusarium brasiliense e Sclerotinia sclerotiorum. Isso ocorre geralmente em solos compactados, pois nesses ambientes a água das chuvas fica concentrada em camadas superficiais de solo, nos primeiros 30 centímetros de terra. “As doenças de solo estão relacionadas à compactação de solo e má drenagem de água, isso ajuda na proliferação dessas doenças causadas por fungos”, diz Melo. A rotação de culturas provoca melhorias no perfil de solo e inverte essa lógica. A braquiária, por exemplo, apresenta um crescimento radicular agressivo, sendo que suas raízes podem atingir três metros de profundidade. Com isso, o solo se torna mais poroso e a melhor drenagem de água reduz a incidência de doenças.

A rotação de culturas também traz benefícios comprovados para o controle de plantas daninhas. A introdução de plantas de cobertura produz muita matéria seca e a palhada inibe o crescimento de plantas daninhas. “A braquiária, por exemplo, pode chegar a produzir 15 toneladas de matéria seca no solo. A barreira física na superfície do solo impede que a entrada de luz e a palhada deixa o solo com menor temperatura. Esses dois fatores dificultam a germinação de sementes de plantas daninhas”, explica o pesquisador do Programa UAI.

Embora a rotação de culturas seja uma estratégia efetiva no manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, a prática não deve ser adotada de forma aleatória ou intuitiva. É preciso analisar as condições da fazenda e as necessidades do produtor para traçar o melhor caminho a seguir.

Os agricultores que buscam consultoria técnica para conhecer mais sobre seu ambiente de produção e desafiar seus patamares de produtividade podem confiar no Programa UAI, que pode ser resgatado por pontos na Rede AgroServices. “O produtor precisa pensar em sistemas produtivos no longo prazo. Assim, ele consegue estimar as alterações que precisa fazer e o tipo de intervenção no solo, seja mecânica ou com corretivos. O produtor consegue prever custos e diluir o investimento no longo prazo”, ensina o pesquisador do Programa UAI Carlos Melo. Outro serviço disponível na Rede AgroServices que pode ser um grande aliado do produtor rural é o Patrulha Percevejo, que aumenta a eficiência de controle dos percevejos nas plantações de soja e milho, confira as ofertas para resgate aqui.

 

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COPYRIGHT © BAYER S.A - Última atualização: 16/05/2019 (1.0.2816)