Rotação de culturas traz ganhos surpreendentes para o produtor

A adoção de plantas de cobertura na segunda safra gera incremento de produtividade para a soja e aumento de rentabilidade

Como o produtor rural escolhe qual espécie cultivar na segunda safra? A motivação econômica geralmente é o fator primordial que norteia a tomada de decisão e o milho se tornou a escolha número 1 para a safrinha na maioria das regiões produtoras de grãos. No entanto, pesquisas e cálculos de rentabilidade provocam uma reflexão capaz de mudar essa escolha. O produtor pode se surpreender com os resultados da implementação de culturas de cobertura na segunda safra, promovendo melhorias para o manejo de solo, controle de pragas, doenças, plantas daninhas e, especialmente, benefícios econômicos.

 

Maior rentabilidade

Uma pesquisa realizada durante seis anos pelo grupo de pesquisadores Ciência do Solo, sem fins lucrativos, investigou os benefícios da rotação de culturas para a safra de soja, por meio da adoção de braquiária na safrinha, que posteriormente é dessecada para iniciar o plantio da soja primeira safra. “Quando colocamos a braquiária na safrinha e plantamos soja, houve um incremento liquido de 18 sacas por hectare. Isso significou uma renda para o produtor de R$ 1.010 reais a mais já no primeiro ano de rotação”, conta Luiz Jordão, pesquisador do Programa UAI, um serviço exclusivo da Bayer para elevar a produtividade da soja que pode ser resgatado por pontos na Rede AgroServices aqui. Durante o estudo, foi observado um aumento linear da produtividade da soja. “Nesta pesquisa, o único fator estudado foi a braquiária e o resultado foi robusto e contínuo, imagine então se tivesse a aplicação de gesso e calcário”, conta o pesquisador Luiz Jordão.

 

O poder da braquiária

O que explica esse aumento de produtividade na soja? Segundo Jordão, a lógica é simples. A adoção da braquiária promove uma mudança no perfil de solo. Por ser detentora de raízes com crescimento agressivo e capazes de atingir camadas mais profundas da terra, a braquiária provoca melhorias nas condições físicas do solo que beneficiam diretamente a cultura posterior. “A braquiária tem uma capacidade muito grande de descompactar o solo e reter água”, diz Jordão. Além disso, promove uma reciclagem de nutrientes, entre outros benefícios. Leia mais sobre as vantagens agronômicas: descubra como a rotação de culturas transforma o solo da sua fazenda.

Elevar os ganhos econômicos por meio da rotação de culturas é uma alternativa possível em qualquer região produtora, desde que respeitadas as peculiaridades climáticas e as características de solo para cada local. “Acompanhamos o caso de um produtor com uma lavoura de soja em Minas Gerais que produzia 78 sacas por hectare. Quando ele inseriu a braquiária na safrinha associada ao gesso, ele produziu 111 sacas de soja por hectare. Tivemos um incremento de 33 sacas de soja na safra seguinte”, conta Jordão.

Ainda que seja considerado o custo de produção da braquiária e o investimento em calagem na ponta do lápis, os cálculos vão demonstrar que o avanço na produtividade da soja é indiscutível e superou as expectativas financeiras do produtor mineiro. A estratégia pode ser adotada em quaisquer lavouras e, com investimento diferenciado em adubação, a soja pode apresentar uma colheita ainda maior. “Podemos aplicar calcário, gesso agrícola e o fósforo, que é um ingrediente muito importante para a construção de um bom perfil de solo. A aplicação a lanço e outras ações de manejo associadas podem potencializar todo o sistema e os efeitos da braquiária”, afirma o pesquisador Luiz Jordão.

 

Safrinha com o melhor custo-benefício

De acordo com Jordão, muitos produtores são contra a substituição do milho safrinha por culturas de cobertura. Acredita-se que o milho gera uma renda importante para ajudar a diluir custos fixos na fazenda, como as despesas com mão de obra e maquinário. No entanto, segundo Jordão, a cultura traz riscos que, na prática, comprometem essa lógica. “Isso é uma ilusão porque o milho é uma cultura de extremo risco. O preço pode cair, o produtor pode ter perdas com seca, vento e granizo. Se considerarmos todos os custos fixos de operação com o milho safrinha, muitos produtores têm prejuízo. Mas quem produz uma soja bem feita e tem lucratividade alta não precisa cultivar milho”, afirma o pesquisador.

Outra questão que pesa na balança a favor da braquiária é o custo de produção, muito inferior ao do milho. De acordo com Jordão, o cultivo de uma pastagem adubada para produzir sementes de braquiária custa em torno de R$ 700 por hectare, enquanto que o milho safrinha exige um investimento superior a R$ 2.000 em insumos. “Além do ganho com o aumento de produtividade na soja, existem oportunidades econômicas para ganhar dinheiro com culturas de cobertura. O produtor pode produzir sementes de braquiária, crotalária e milheto, por exemplo, e também pode criar boi”, afirma Jordão.

 

Manejo de coberturas

O pesquisador Luiz Jordão também destaca que culturas de cobertura como a braquiária, milheto e crotalária são rústicas e pouco atacadas por pragas e doenças. Portanto, essas plantas não são tão exigentes nos tratos culturais quanto o milho. O custo de produção é inferior e o produtor também economiza tempo porque não é necessário investir em operações de aplicação de insumos como fungicidas e inseticidas. O produtor que deseja receber consultoria para implementar a rotação de culturas e elevar a produtividade da soja pode resgatar o Programa UAI na Rede AgroServices, confira as ofertas.

Além disso, a operação de plantio é mais simples e pode ser realizada com o maquinário da fazenda, com semeadora ou plantio a lanço. O maior cuidado, segundo o pesquisador, deve ser na escolha das sementes. “O produtor deve comprar de sementeiras certificadas e escolher bem a semente, com qualidade e vigor”, diz Jordão. A semente ideal de braquiária deve apresentar 600 pontos de valor cultural por hectare, valor cultural acima de 75%, e no mínimo 8 quilos de sementes por hectare. A recomendação para o milheto é semear entre 20 quilos e 25 quilos de sementes por hectare, enquanto que a crotalária exige de 15 quilos a 25 quilos de sementes por hectare.

 

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