Áreas de refúgio são essenciais para preservar a eficácia do milho Bt

Lagarta-do-cartucho em milho. Crédito da foto: Shutterstock.

Descubra como as boas práticas agrícolas combatem o preocupante avanço das lagartas resistentes


O primeiro híbrido de milho Bt foi aprovado no Brasil em 2007. Desde então, a tecnologia promoveu um salto em qualidade e produtividade nas lavouras de milho. Com a introdução de genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), as plantas geneticamente modificadas expressam uma característica inseticida capaz de combater pragas, sendo que atualmente o principal alvo de controle é a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda).

No entanto, ao longo do tempo, inevitavelmente as pragas passam por um processo de seleção natural. Os insetos mais resistentes sobrevivem após se alimentarem das folhas de milho com a proteína Bt e passam a desafiar a tecnologia. “A resistência vêm preocupando bastante. É muito ruim para o produtor não ter tecnologias funcionando. É dever de todos ajudar para termos uma maior longevidade e uso das tecnologias Bt”, afirma Danilo Belia, Gerente de Marketing Estratégico para Cereais da Bayer.

Neste cenário, é necessário compreender o processo de seleção e retardar o aumento da população de pragas resistentes com uma prática agrícola essencial: a adoção de áreas de refúgio. “O refúgio é uma prática preventiva para a proteção da tecnologia Bt. Infelizmente, acredito que ainda não é uma prática adotada por todos os produtores por desconhecimento dos seus benefícios”, diz o gerente Danilo Belia.

 

O papel do refúgio na lavoura

O refúgio é uma técnica de Manejo da Resistência de Insetos (MRI). As áreas de refúgio, cultivadas com milho não Bt, servem de abrigo para insetos suscetíveis à tecnologia Bt que podem se acasalar com indivíduos resistentes. O resultado disso é que os descendentes desse cruzamento serão insetos vulneráveis ao milho Bt, mantendo a funcionalidade da tecnologia.

Sem a área de refúgio, no entanto, ocorre o oposto: os insetos que sobrevivem se reproduzem e aumentam a pressão de pragas resistentes ao Bt. “Quando há um problema de resistência, um dos grandes prejudicados é o produtor”, diz Belia.

 

Como realizar o refúgio corretamente?

O produtor já está acostumado a plantar e manejar diferentes híbridos na fazenda. Por isso, o gerente Danilo Belia acredita que o refúgio não seria uma prática custosa ou inacessível. Apenas é necessário que o produtor se conscientize e possa planejar as operações com antecedência. “A área de refúgio deveria ser uma área de planejamento dele durante as compras de híbridos”, diz Belia. “Ele tem que avaliar o refúgio como uma tecnologia, da mesma forma como ele escolhe qualquer outro produto.”

O agricultor deve investir no refúgio estruturado, de maneira adequada, e em pelo menos 10% da área cultivada com milho. Há diferentes opções de configurações espaciais, podendo ser em faixa ou em bloco. A regra é que o milho convencional tenha o mesmo ciclo e porte do milho Bt. Outro requisito é que as áreas de refúgio apresentem uma distância máxima de 800 metros das áreas Bt. Dessa forma, quando as lagartas atingirem a fase adulta, em forma de mariposas, os insetos serão capazes de voar entre as áreas. Caso a distância seja superior aos 800 metros, a reprodução entre insetos da área Bt e da não Bt fica impossibilitada e o refúgio não cumpre o seu papel.

“Um ponto importante é a coexistência, onde deve-se manter as lavouras comerciais de milho geneticamente modificado a uma distância mínima de 100 metros das lavouras de milho convencionais de áreas vizinhas, ou com a adoção de uma bordadura de 10 linhas de milho convencional, podemos ter 20 metros de distância mínima das lavouras de milho geneticamente modificado”, explica Belia.

 

Monitoramento cuidadoso

O manejo do refúgio deve seguir as mesmas premissas para toda a lavoura de milho. A orientação dos especialistas é realizar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), monitorar constantemente as áreas e realizar amostragens de insetos para identificar os níveis de infestação. O ideal é aplicar produtos de alta performance, sempre com dosagem adequada e na hora certa. “A recomendação é que, independentemente de ser uma área Bt ou não Bt, o produtor faça um monitoramento e faça uso de inseticidas foliares quando houver folhas raspadas acima de 10% e nível 3 da escala Davis”, explica Belia.

Os produtores podem contar com a ajuda da Rede AgroServices para melhorar o manejo das lavouras de milho. Há opções de serviços de monitoramento de pragas, como o Patrulha Percevejo e o Climate FieldView. O produtos pode buscar assistência técnica por meio da contratação de agroespecialistas em manejo de pragas. Também há ofertas de prestadores de serviço para aplicação terrestre e pulverização aérea por meio do resgate de pontos Bayer na Rede AgroServices.

 

Boas práticas agrícolas

Para um eficiente Manejo da Resistência de Insetos (MRI), as áreas de refúgio devem ser combinadas com outras boas práticas agrícolas. Entre as recomendações, além do refúgio, deve-se adotar o monitoramento, uso de tratamento de sementes, uso de inseticidas de diferentes modos de ação, além da escolha dos híbridos e suas tecnologias.

As estratégias de manejo incluem o controle de plantas daninhas e "tigueras", que favorecem a proliferação de lagartas resistentes, e combater infestações de insetos remanescentes na palhada com inseticidas pré-plantio. O produtor também deve ter em mente que o tratamento de sementes protege o milho na fase inicial da lavoura, reduz a pressão de pragas e, consequentemente, a probabilidade de ocorrência da resistência. A Rede AgroServices oferece serviços em tratamento de sementes que podem ser resgatados por pontos Bayer, confira as ofertas aqui.

O combate à resistência de insetos precisa da conscientização e ajuda de todos os agentes envolvidos no mercado do milho. Órgãos do governo, empresas obtentoras, associações de produtores e cooperativas estão engajados em prol da causa e frequentemente lançam campanhas de valorização do refúgio.

O gerente Danilo Belia lembra ainda que preservar os transgênicos é fundamental para que as lavouras continuem produtivas no longo prazo. “O tempo que se destina às pesquisas para descobrir um novo evento [genético] é de aproximadamente 10 anos. Depois, ainda temos o tempo para o registro no mercado nacional e internacional. É um processo bastante rigoroso e demorado, precisamos preservar essas tecnologias”, diz ele.

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COPYRIGHT © BAYER S.A - Última atualização: 16/05/2019 (1.0.2816)