6 dicas para melhorar a aplicação terrestre de defensivos químicos

Saiba como acabar com os erros de manutenção e calibração dos pulverizadores para garantir o melhor custo-benefício na pulverização agrícola

A pulverização agrícola é uma operação de suma importância no campo. Há inúmeros tipos de pulverizadores costais, pistola, pulverizadores de barra e atomizadores disponíveis no mercado brasileiro que são utilizados para a aplicação terrestre de defensivos químicos. Em todas as culturas e em fazendas de quaisquer tamanhos, a pulverização agrícola é uma atividade crucial para combater pragas, doenças e plantas daninhas. Confira 6 orientações para ter uma aplicação terrestre de qualidade, com boa cobertura na lavoura e eficiência na utilização dos insumos aplicados.

 

1 - Informação técnica

Os requisitos para a pulverização agrícola variam de acordo com os inseticidas, fungicidas e herbicidas que serão aplicados. A atividade também é influenciada pelo clima e exige o uso de equipamentos de segurança, entre outros procedimentos técnicos. Quanto mais capacitada estiver a equipe responsável pela aplicação terrestre, melhor será o resultado da pulverização.  “É importante estar preparado para buscar maior qualidade de aplicação e eficiência do produto que está aplicando”, afirma Antonio Airton Pizzinatto, instrutor de treinamentos da Auditreina, de Piracicaba (SP).

O agricultor que deseja estudar o tema ou capacitar a equipe de pulverização da fazenda pode resgatar treinamentos por pontos da Rede AgroServices. “O treinamento gera um grande benefício para o produtor. O objetivo é garantir o bom rendimento dos defensivos químicos e fazer com que os produtos tenham o efeito esperado na lavoura”, diz Pizzinatto. Confira ofertas de treinamento aqui. Na Rede AgroServices, também é possível contratar uma empresa especializada que preste o serviço de aplicação terrestre, saiba mais aqui.

 

2 - Evite erros de manejo

Com mais de 20 anos de experiência promovendo treinamentos em aplicação terrestre, especialmente para operações em canaviais, Antonio Airton Pizzinatto observa dificuldades técnicas e de infraestrutura em inúmeras fazendas. “Um problema comum no campo é que muitas vezes o produtor não tem um local de terreno nivelado para fazer a preparação de calda e para abastecer o tanque. Outra dificuldade é na manutenção de agitadores para os produtos que decantam”, conta o instrutor da Auditreina.

Pizzinatto também alerta para erros relacionados à gestão da aplicação terrestre e velocidade inadequada. “Muitas vezes, o produtor não usa marcadores ou georeferenciamento e pode haver o remonte. A sobreposição de produtos pode gerar efeitos não previstos que vão prejudicar a produção, causa desperdício de produtos e toxidade nas plantas. É preciso melhorar o controle de quanto aplicou e em quais áreas”, orienta o instrutor.

A velocidade da operação deve ser compatível com a dosagem do produto e levar em consideração as condições do terreno. “A velocidade vai depender do quanto o sistema de pulverização consegue aplicar sem comprometer tamanho de gota. Além disso, na hora das manobras, recomenda-se reduzir a velocidade”, diz Pizzinatto.

 

3 - Dose e volume

Para aperfeiçoar a operação, é preciso investir em melhor infraestrutura e o responsável pela aplicação deve ser capaz de preparar a dosagem seguindo as orientações apresentadas pelo fabricante na bula de cada produto. “As dosagens vão depender da infestação da praga, do produto escolhido e das necessidades do produtor. A condição climática também faz diferença na dose”, explica Pizzinatto.

Segundo o instrutor, o cálculo de volume da aplicação deve ser criterioso, observando as condições do ambiente, cultura e ponta de pulverização escolhida. Vale a pena ter sempre por perto o catálogo de pontas para averiguação porque a escolha dos bicos determinam o tamanho de gota, pressão e vazão de aplicação.

Em se tratando de misturas, a recomendação é seguir exatamente a orientação dos fabricantes. Quando há a adoção de produtos biológicos para o Manejo Integrado de Pragas (MIP), por exemplo, deve-se observar com cautela se não há restrições para a aplicação de determinado defensivo químico na mesma área.

 

4 - Condições climáticas

É essencial conferir a previsão de tempo e as recomendações de bula dos produtos para evitar que chuvas provoquem a lixiviação de defensivos. Condições como umidade e temperatura impactam na pulverização. Mas o vento, sem dúvidas, é o fator que representa maior risco. O vento é capaz de levar as gotas de defensivos químicos para outro local, provocando o fenômeno chamado de deriva, quando a aplicação ocorre em área indesejada.

Para Pizzinatto, em vez de realizar a aplicação terrestre por força do hábito em horários rotineiros, é recomendável observar a velocidade e direção do vento para decidir a melhor hora de pulverizar. “O correto é ter um anemômetro para medir a velocidade do vento e definir se vai ou não fazer a aplicação. A maior parte dos produtores não tem esse equipamento e não é caro, vale a pena investir nisso”, diz o instrutor da Auditreina.

 

5 - Manutenção e calibração do pulverizador

De acordo com Pizzinatto, os produtores geralmente enfrentam dificuldades na manutenção e regulagem dos equipamentos. “Normalmente, os erros de manejo mais comuns são quando os equipamentos apresentam algum vazamento. Se os filtros não estão em boas condições, eles acabam facilitando o entupimento e comprometem a eficiência dos bicos. Por isso é necessário fazer uma inspeção completa de filtros e bicos”, explica o instrutor.

A aplicação terrestre também requer uma calibração adequada do pulverizador. “Indicamos fazer uma lavagem geral e regulagem só com água no dia da pulverização ou na véspera da operação. O ideal é que o produtor faça uma calibração de teste com água por cerca de 15 minutos, rodando em torno de 50 metros”, orienta Pizzinatto.

A limpeza adequada do maquinário evitará a contaminação de pessoas ou animais com resíduos de defensivos químicos. Além disso, os cuidados de manutenção evitam o desgaste prematuro dos componentes e prolongam a vida útil do equipamento. “O produtor deve manter a manutenção em ordem. Tem que ter a bomba hidráulica bem revisada e observar a tomada de força do trator”, diz o instrutor.

 

6 - Segurança

Produtos que apresentam toxidade e podem ser nocivos à saúde exigem responsabilidade no manuseio e descarte criterioso de suas embalagens. É obrigatório que os responsáveis pela aplicação utilizem Equipamentos de Proteção Individual (EPI) de forma adequada. “A gente tem orientado que coloquem a roupa em saco plástico e tenham cuidado até com o jeito de retirar a luva”, alerta Pizzinatto.

Após o uso, alguns produtos orientam na bula que as embalagens usadas devem ser lavadas. O produtor também deve buscar o descarte adequado, com o apoio de iniciativas como o Sistema Campo Limpo, trabalho de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV).

COPYRIGHT © BAYER S.A - Última atualização: 6/12/2016 (1.0.2365)