Plantas daninhas infestantes da cultura da cana-de-açúcar exigem manejo cuidadoso para reduzir os efeitos da matocompetição

Aplicação de herbicida pré-emergente com residual prolongado durante a época de seca promove um manejo mais eficaz das plantas daninhas

Os efeitos da matocompetição representam um grande problema em diversas lavouras. As plantas daninhas competem por luz solar, recursos hídricos e nutrientes, causando perdas significativas na produtividade da cultura comercial. Na produção de cana-de-açúcar, se o produtor não tomar medidas assertivas, e de forma preventiva, as plantas daninhas de folhas estreitas e de folhas largas são capazes de “roubar” a produtividade dos canaviais de forma assustadora. “Se o produtor não tomar nenhuma medida de controle, as soqueiras têm como média uma perda de até 45% e para a cana planta pode chegar a 80% de perdas”. Com os atuais níveis de controle de plantas daninhas, eu acredito que, ainda se perde em torno de 15% a 25% da produtividade”, afirma o agroespecialista Pedro Christoffoleti, que é professor Sênior em Biologia e Manejo de Plantas Daninhas da Esalq/USP.

Os prejuízos ocorrem principalmente quando se perde o momento ideal de aplicação dos herbicidas. “O produtor ainda tem dúvidas sobre as melhores práticas de controle das plantas daninhas, principalmente nas áreas com o novo sistema de plantio chamado meiose”, afirma Christoffoleti. De acordo com o agroespecialista, durante a safra, que se estende de abril a novembro, na região centro-sul do Brasil, a aplicação de herbicidas pré-emergentes é oportuna, mesmo durante o período seco da safra, de meados de maio a fim de agosto. No entanto, os produtores ainda enfrentam dificuldades na escolha do produto, assim como para planejar a pulverização. “Alguns aplicam produtos não adequados para o período seco ou muitas vezes o produtor tem dúvidas se o herbicida vai ser eficaz até o período chuvoso. Assim, erroneamente por não fazer a aplicação nesta época do ano, que se constituiu na maioria das vezes um erro”, explica o professor.

 

Aplicação de herbicidas

Escolher um herbicida inadequado ou deixar de realizar a aplicação no período seco são os dois erros mais comuns que causam o fracasso no manejo das plantas daninhas. Outro problema é a dificuldade de manejar as plantas daninhas que se adaptaram ao novo sistema de colheita de cana (colheita mecanizada sem queima da palhada), como as espécies de folhas largas mucuna, mamona, corda-de-viola, merremia, melão-de-são-caetano e bucha. “Os produtores têm tido uma série de dificuldades por não utilizar o produto correto. As plantas daninhas de folhas largas causam uma infestação generalizada no talhão e exigem controle de pré-emergência em área total. Porém, além disso, temos algumas espécies adaptadas nas bordaduras dos talhões, e é comum fazer um reforço de controle devido ao fato de a cana estar aberta nas bordaduras, permitindo maior incidência de plantas daninhas. Há necessidade de escolher produtos que sejam de alta eficácia para o período seco”, diz o professor. Destaca também o professor que, apesar da palhada dificultar a emergência das plantas daninhas do tipo gramíneas, ainda o capim-braquiária, capim-colchão e capim-colonião representam as principais plantas daninhas infestantes da cultura da cana-de-açúcar.

A escolha do herbicida pré-emergente exige o olhar atento do produtor. “Para ser aplicado no período seco, o produto tem que ter uma série de propriedades físico-químicas importantes e alguns atributos. Dentre esses aspectos, o primeiro deles é o efeito residual prolongado. O produto não pode ter problema de volatilidade e foto decomposição, tem que ser um produto que tem baixa dispersão, consequentemente uma alta biodisponibilidade para que ele possa permanecer ativo desde o momento da aplicação até o início do período chuvoso, que muitas vezes chega a ser até 6 meses depois”, explica o professor Christoffoleti. Além disso, segundo ele, a escolha do herbicida também deve levar em consideração os atributos do solo, o índice de matéria orgânica, disponibilidade de água e expectativa de chegada das chuvas.

Quando o produtor não realiza o manejo nessa época ideal e opta por aplicar herbicidas pós-emergentes apenas no período chuvoso, as chances de sucesso podem ser reduzidas. “No período chuvoso, o produtor tem que usar o herbicida em condições de jato dirigido porque se ele aplicar em área total na folha ele acaba afetando o crescimento da cana. Isso diminui o rendimento operacional, e ele dificilmente consegue fazer a aplicação no momento certo porque a planta daninha tem crescimento rápido, em poucos dias já começou a competir com a cultura e causa perda de produtividade”, explica Christoffoleti.

 

Como melhorar o manejo?

A principal recomendação para implementar um manejo eficiente das plantas daninhas é investir em um adequado diagnóstico da área. De acordo com Renato Bezerra, consultor de desenvolvimento de mercado da Bayer, o produtor precisa mapear as infestações e identificar corretamente as espécies de plantas daninhas para escolher a tecnologia ideal de controle, com aplicação no momento certo. “De uma maneira geral existe espaço para melhorias de manejo, investindo desde o começo, no plantio, e realizar manutenções nos anos sequentes”, diz Bezerra. “O produtor tem que ter um bom conhecimento da flora na sua área, saber quais são as ervas daninhas principais e planejar a aplicação de um bom produto. Em cana soca, o momento ideal de aplicação seria logo após a colheita, antes da brotação da cana.”

Além disso, o agricultor também precisa ficar atento aos cuidados de regulagem e manutenção do pulverizador, de acordo com o professor Pedro Christoffoleti. “Embora esse não seja um problema prioritário dentro da propriedade, é importante que o produtor tenha uma assessoria para ajudar no processo de inspeção de equipamentos e do estado operacional”, afirma ele. “A boa aplicação de herbicida é a base do processo de eficácia do controle de plantas daninhas na cana de açúcar.”

Para auxiliar o agricultor nessa tarefa, a Rede AgroServices oferece vários serviços para planejar o manejo com herbicidas e aperfeiçoar a aplicação. Veja ofertas de empresas que prestam serviço de aplicação terrestre neste link e de agroespecialistas para o manejo de plantas daninhas aqui. “Temos agroespecialistas que fazem o trabalho de diagnóstico e indicação do melhor posicionamento do produto”, afirma o consultor da Bayer Renato Bezerra. “É sempre bom reciclar o conhecimento, preparar as equipes de campo e toda a equipe técnica com conhecimentos de pontas de pulverização, calibração de máquina e tudo que envolve tecnologia de aplicação.”

De acordo com o professor Pedro Christoffoleti, o controle das plantas daninhas não se limita à aplicação de herbicidas e se beneficia de outras boas práticas agrícolas. “Um bom manejo da colheita e da palha deixada na superfície do solo, a fertirrigação, o espaçamento correto das plantas e a aplicação de torta de filtro são práticas que favorecem a competitividade da cana e desfavorecem o crescimento da planta daninha. O herbicida sozinho não é a única ferramenta para se fazer o controle, ele precisa que a cultura esteja devidamente desenvolvida com boas práticas”, afirma o agroespecialista.

Os produtores que desejam receber a visita técnica do professor Pedro Christoffoleti e seguir suas orientações podem resgatar a assessoria por pontos na Rede AgroServices. “Como agroespecialista, eu tenho oferecido assistência técnica ao produtor no sentido de fazer um planejamento de controle de plantas daninhas na propriedade, para que possa ajudá-lo na melhor tomada de decisão para cada momento do manejo”, diz ele.

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