Mulheres do agronegócio buscam empoderamento e capacitação

Grupos de apoio e eventos favorecem a troca de experiências, o fortalecimento da autoestima e o empreendedorismo visando a equidade de gênero

As mulheres estão buscando maior representatividade em vários setores e no agronegócio não é diferente. Elas querem mais oportunidades de trabalho e igualdade. De acordo com o estudo Mulheres no Agronegócio” desenvolvido pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o número de mulheres que atuam no agronegócio aumentou 8,3% entre 2004 e 2015. Em avaliação sobre jornada de trabalho e igualdade de oportunidades e salários, 67,9% estão satisfeitas, enquanto que 20,83% das mulheres do agronegócio estão insatisfeitas com seus empregos.

A presença feminina no campo vêm avançando a passos largos, mas elas ainda reclamam de dificuldades para liderar e serem ouvidas. Uma boa solução para fortalecer o papel da mulher no campo e quebrar esse paradigma é a união. “Vários grupos estão se formando e acho isso extremamente importante. As mulheres estão se unindo, buscando ajuda e se empoderando. Quando nos identificamos com o problema do outro, existe o apoio que fortalece e nos ajuda a crescer”, afirma a engenheira agrônoma Vanessa Sabioni, especialista em fitopatologia, CEO e fundadora da rede Agromulher.

A rede Agromulher é um exemplo de iniciativa que visa promover a atuação feminina no campo. Inicialmente, foi criado em maio de 2017 o site Agromulher, que surgiu para dar voz às mulheres do setor e defender a equidade de gênero. “O portal de conteúdo nasceu com o objetivo de trazer informações para as mulheres do agronegócio, trazer desenvolvimento pessoal e profissional”, conta Vanessa.

Em pouco tempo, o portal cresceu e se tornou uma ampla rede. “A rede digital Agromulher virou uma empresa de capacitação, inserção e valorização da mulher no agronegócio, através de workshops e palestras, cursos online, portal de conteúdo, aplicativo AgroMulher e redes sociais”, conta Vanessa Sabioni. A rede Agromulher somou mais de 150.00 visitas no portal Agromulher, mais de 50.000 seguidores nas redes sociais e realizou mais de 10 cursos e palestras em menos de dois anos de atuação. “Nosso próximo passo é fundar o Instituto Agromulher, que terá como objetivo criar projetos relacionados a educação e inserção de engenheiras agrônomas, Cooperativismo para mulheres do campo, empreendedorismo feminino e novas tecnologias”, afirma Vanessa.

 

Mudança cultural

Para Vanessa, a valorização das mulheres no agronegócio é um processo que exige paciência e educação no longo prazo pois os homens também precisam aprender a dividir espaço com elas. “As mulheres enfrentam machismo e preconceito no agro porque é um ambiente predominantemente masculino, então estamos falando de uma questão cultural que demora décadas para mudar”, afirma Vanessa. “Promovemos a equidade de gênero e observamos que eles também estão tendo dificuldades. O importante é ensinar que homens e mulheres podem trabalhar juntos no agro, juntos somos mais fortes.”

Vanessa critica o fato de que algumas empresas divulgam vagas de trabalho especialmente para homens e isso intimida as mulheres, mas essa barreira tende a ter um breve fim. “Ainda existe falta de oportunidades, a mulher tem que se capacitar para lidar com isso de uma maneira mais fácil. Muitas se sentem despreparadas e inseguras, por isso sentem necessidade de desenvolvimento pessoal e capacitação”, diz Vanessa.

Por outro lado, a mudança de cenário está ocorrendo de forma acelerada e elas estão cada vez mais ocupando funções de liderança. “A cada três produtores rurais, um é mulher, em média 30%. Elas estão administrando fazendas, comprando insumos e fazendo negócios. É um número muito representativo, as mulheres estão contribuindo fortemente para o agronegócio. Acredito que esse número vai avançar mais rápido do que a gente imagina, ainda mais porque estamos trazendo esse empoderamento, networking, autoestima e resiliência”, diz Vanessa.

 

Era digital

A internet favorece muito a evolução nas questões de gênero, pois facilita os debates e permite um maior engajamento delas. “Estamos em uma era de intenso desenvolvimento tecnológico no agronegócio e a mulher é um agente de transformação digital porque são comunicativas, formam grupo e estão mais conectadas”, afirma Vanessa.

Além disso, observa-se o avanço de iniciativas importantes como 1° Prêmio Mulheres do Agro, realizado pela Bayer com apoio da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que terá a sua 4° edição em outubro de 2019. “É realmente importante focar em eventos para mulheres porque o encontro físico conecta muito e gera a troca de experiências. E junto com a experiência digital conseguimos criar um ambiente muito mais favorável para elas se fortalecerem e empreenderem”, diz Vanessa.

A Bayer também busca unir e inspirar as mulheres do agronegócio, valorizando o papel feminino no campo. Um novidade para 2019 é o lançamento da websérie Ser Agro É Bom Mulheres, que vai apresentar as histórias inspiradoras das vencedoras do 1° Prêmio Mulheres do Agro, que foi patrocinado pela Bayer. Elas protagonizarão a série de 9 vídeos com depoimentos emocionantes sobre a paixão pelo campo e os desafios nas suas atividades rurais, detalhes da rotina pessoal de perseverança e busca por capacitação. Os depoimentos serão divulgados ao longo de 2019 nas redes sociais da Bayer. Além disso, cada vídeo da série apresentará uma receita típica da região de cada fazenda. Assista ao primeiro episódio da série aqui.

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COPYRIGHT © REDE AGRO S.A - Última atualização: 15/08/2019 (1.0.3128)