6 orientações para otimizar o manejo da broca da cana-de-açúcar

Miolo da cana atacado por broca. Crédito da foto: Embrapa/Saulo Coelho Nunes.

Para cada R$ 1 que a usina perde por causa da praga, no campo o prejuízo foi três vezes maior, descubra como melhorar o monitoramento e combater o inseto

A broca da cana-de-açúcar é a praga prioritária nos canaviais por causa da abrangência e frequência de incidência na cana-de-açúcar. Ela é uma velha conhecida, porém os produtores ainda pecam no controle ao inseto. “Embora o sistema de monitoramento e controle tenham evoluído bastante, a cada ano temos um desafio diferente. O comportamento da praga muda, fica sujeito a ter um revés conforme o clima e o controle é difícil”, afirma o agroespecialista Newton Macedo, professor aposentado da Universidade Federal de São Carlos e consultor na Araújo & Macedo Ltda.

De acordo com o agroespecialista, muitos fornecedores de cana para usinas e até mesmo equipes técnicas de Usinas, negligenciam o manejo da broca. Isso ocorre por dificuldades financeiras ou porque o agricultor não consegue mensurar prejuízos. “Por falta de conhecimento, o produtor não tem a dimensão das perdas com a praga. Normalmente, para cada R$ 1 que a usina perde por causa da broca, no campo a perda foi três vezes maior. O produtor perde em toneladas de cana por hectare e perde em quantidade e qualidade de açúcar na cana”, explica Macedo. “É preciso dar mais atenção ao controle da broca, é uma praga que ataca de forma generalizada no Centro-Sul. Com o controle, o produtor vai gastar o valor equivalente a cerca de 1,5 tonelada cana por hectare, hoje é uma das tecnologias que mais dá retorno econômico.”

Nos últimos anos, muitas lavouras padeceram com situações de extremos climáticos, como períodos de seca fora de época e temperaturas mais elevadas. Isso corrobora para que a praga se multiplique mais rápido e se alastre. Por isso, a principal recomendação é ficar mais atento e redobrar cuidados de monitoramento e manejo. Segundo Macedo, durante as estações primavera 2018 e verão de 2019, por exemplo, ficou evidente o comportamento atípico do clima. “O normal é termos regularidade das chuvas até meados de abril no Centro-Sul, mas a última primavera/verão foi diferente. As chuvas escassearam, tivemos chuvas muito abaixo da média e irregulares”, diz ele.

O clima já refletiu diretamente na incidência da broca nos canaviais da região Centro-Sul. “A sequência da praga teve seu ciclo encurtado e isso exigiu uma intervenção com químicos mais frequente. Temos níveis de infestações mais altas na cana que vai ser colhida no meio e no fim da safra, de junho a dezembro”, afirma o agroespecialista. Confira 6 orientações para melhorar o manejo do inseto.

 

1 – Entenda a praga e o impacto do clima

A biologia da broca é bastante conhecida. Todos os anos, o inseto se reproduz iniciando uma sequência de gerações geralmente a partir da segunda quinzena de setembro. De acordo com Macedo, a primeira geração se forma quando o acumulado de chuvas na região fica, em média, acima de 60 milímetros em 15 dias e cada geração do inseto dura cerca de dois meses. “O período em que a praga se desenvolve mais é de outubro até março. Quando as chuvas são regulares nesse período temos quatro gerações da praga. Mas, em ano como esse que choveu menos e com temperaturas elevadas, a praga pode chegar a uma quinta geração e isso aumenta a necessidade de controle químico”, explica o agroespecialista.

A principal orientação é controlar ao máximo a primeira geração da praga, para reduzir as populações do inseto que darão origem às próximas gerações. “É muito importante controlar essa primeira geração e evitar que ela faça uma pressão sobre as canas que vão ser colhidas no meio e final de safra”, explica Macedo. “Alguns produtores não dão a devida importância para a praga, enquanto outros têm uma estratégia definida, mas por falta de pessoal preparado não conseguem colocar em prática.”

 

2 – “Ponte verde” e migração da praga

Um problema que desafia o controle da broca é a ocorrência da chamada “ponte verde”. Enquanto no cultivo de grãos é possível combater pragas e doenças com medidas fitossanitárias como o vazio sanitário, nas plantações de cana isso não é possível. Por ser um cultivo perene, a fazenda sempre mantém canaviais em distintas fases de desenvolvimento que servem de abrigo para a broca.

De acordo com Macedo, a mariposa da broca tem uma capacidade de voo elevada e estudos já demonstraram que ela pode se locomover a até 10 quilômetros de distância. Assim, a praga migra tranquilamente de um canavial para o outro e continua sempre presente nas lavouras. “A praga tem o hábito de migrar para canaviais mais jovens. Esse é um fluxo normal, fenômeno que sempre ocorre”, diz o agroespecialista. Por isso, para melhorar o manejo, a recomendação é reforçar o controle de acordo com o desenvolvimento da plantação. “O produtor precisa ficar atento e controlar a praga seguindo a sequência da fenologia da planta. É só seguir essa sequência natural de migração da praga que é perfeitamente viável controlar”, afirma Macedo.

 

3 – Variedades produtivas

Algumas variedades de cana são mais suscetíveis ao ataque da broca. Por isso, o produtor deve pesar bem os prós e contras ao adquirir as mudas, estimando os ganhos em produtividade e as possíveis perdas com a broca. “A tendência é as variedades modernas serem mais produtivas e terem mais açúcar, porém são mais atacadas pela broca”, diz o agroespecialista.  Existe no mercado, por exemplo, uma variedade de cana transgênica resistente à broca. Antes de adotar a tecnologia, é importante o produtor avaliar o custo-benefício do investimento em comparação com as técnicas de manejo já utilizadas na fazenda. “Essa tecnologia transgênica é muito importante e tem futuro, mas é uma tecnologia que vai demorar ainda para ter um impacto no controle da broca. É um processo demorado até o produtor renovar os canaviais e tem um custo elevado a ser levado em conta”, opina Macedo.

 

4 – Melhore o monitoramento da broca

O monitoramento da praga geralmente é realizado com o uso de armadilhas de feromônio natural, exalado por fêmeas virgens (mariposas antes do acasalamento) que são usadas como iscas para atrair os machos. No entanto, Macedo alerta que esse tipo de estratégia não gera um resultado preciso sobre o nível de infestação da praga na área monitorada. Com um resultado equivocado, o produtor pode realizar mais aplicações de defensivos do que o necessário na área e ter um custo de produção maior, além da questão de contaminação ambiental.

Para melhorar o manejo, o ideal é sempre investir em monitoramento por terra. “O produtor tem que ter uma equipe permanente fazendo monitoramento por terra, com observação diretamente na planta”, diz Macedo. O produtor pode imaginar que esse trabalho requer muita mão de obra, mas isso não é verdade. Já existem metodologias modernas que permitem otimizar recursos. “O pessoal está preso ao passado. Hoje há diferentes estratégias de monitoramento, temos tecnologia para um monitoramento eficiente com um número pequeno de pessoas e a assertividade das aplicações são elevadas”, diz Macedo. “Com apenas 5 pontos por talhão, o monitoramento que chamamos de estratégia sequencial regressiva, é capaz de monitorar até 3 mil hectares por pessoa. Uma equipe de monitoramento de 12 pessoas consegue monitorar 30 mil hectares.”

 

5 – Manejo integrado

O produtor precisa se apoiar em todas as ferramentas possíveis para acabar com a praga. É necessário investir em inseticidas, que fazem parte de dois grandes grupos químicos. O produto pode ser fisiológico, que interfere no desenvolvimento da praga, porém apresenta menor efeito residual e custa menos, ou pode ser um inseticida neurológico (diamidas), capaz de bloquear as sinapses dos músculos da lagarta, impedindo que ela se alimente e morra. Os produtos neurológicos combatem a lagarta em qualquer idade, são seguros do ponto de vista ambiental, tanto quanto os fisiológicos, e têm maior efeito residual, mas não devem ser utilizados em seguidas aplicações para não provocarem a seleção de insetos resistentes.

O ideal é realizar cerca de duas aplicações com inseticidas fisiológicos e uma aplicação de inseticida neurológico durante o período crítico de ataque da praga. Procedendo desta forma preserva-se a ação dos inimigos naturais presentes na área. Além disso, é importante aliar essas ferramentas ao uso de biológicos. Macedo recomenda apenas a vespinha Cotesia flavipes para o controle da broca-da-cana. “Num primeiro momento, o produtor pode fazer uma intervenção química estratégica, com critério e escolha correta do produto químico. E depois entra com o biológico Cotesia flavipes, que funciona muito bem para um controle complementar”, diz ele.

 

6 – Aplicação terrestre e aérea

O processo de aplicação dos defensivos determina como o alvo será atingido e a eficácia de controle da praga. Sempre que possível, o produtor deve priorizar a aplicação terrestre, adotando boas práticas de preparo de calda, seguindo as recomendações de bula do inseticida, além de tomar providências para a correta regulagem do pulverizador e a adequada escolha de pontas de pulverização. A Rede AgroServices oferece serviços de aplicação terrestre que podem ser resgatados por pontos, confira as ofertas aqui.

Quando o canavial atinge determinada fase de desenvolvimento em que não é possível entrar com o pulverizador na lavoura, a única solução é investir na aplicação aérea e, geralmente, o produtor busca empresas prestadores de serviço para realizar a operação (saiba como resgatar o serviço aplicação aérea por pontos na Rede AgroServices aqui). Nesse caso, é fundamental observar a experiência do prestador de serviço, documentação e certificações do piloto e da aeronave. “O produtor precisa saber se a empresa tem experiência em controle de pragas de cana-de-açúcar porque é diferente de fazer aplicação aérea em culturas anuais”, explica Macedo. Outra dica é observar que o avião Ipanema é a aeronave mais recomendada para a aplicação, enquanto que há modelos de aviões de maior porte e com capacidade para aplicar defensivos em áreas extensas, mas a velocidade e altitude recomendadas podem impactar na performance da aplicação.

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