Lenha feita de casca de arroz

Esse é um dos resíduos que alimentam a indústria dos briquetes - uma alternativa para gerar valor com as sobras da produção agrícola


Entre as boas opções de aproveitamento de resíduos da agricultura encontra-se a fabricação de briquetes, um combustível sólido feito a partir da compactação de restos obtidos na produção de itens como arroz, algodão, cana-de-açúcar, café e milho. O produto é um substituto da lenha, com a vantagem de gerar menos cinzas e mais calor – ou poder calorífico, como dizem os especialistas.

No estudo “Produção de briquetes e péletes a partir de resíduos agrícolas”, a Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa) informa que um briquete feito de resíduos de algodão tem poder calorífico de 4.300 kcal/kg, contra 1.700 a 2.500 kcal/kg no caso da lenha. Ou seja, gera 2,5 vezes mais energia.

“Atualmente, o insumo mais usado é a casca de arroz”, aponta José Dilcio Rocha, pesquisador da Embrapa Agroenergia. O resíduo apresenta algumas vantagens, como já sair seco do processo de beneficiamento do arroz. Além disso, por ser pequeno, pode ir direto para a máquina compactadora, sem precisar passar pela picotagem. Outras alternativas comuns são casca de café e palhas de milho e de cana-de-açúcar. “Nas regiões Norte e Nordeste, existem fábricas que usam restos de cultivos locais, como babaçu, acara-uba e caju”, afirma Dilcio.

 

Como fazer parte

Para atuar na produção de briquetes, é preciso dispor de grande quantidade de resíduos. O investimento, segundo o especialista da Embrapa, costuma ser superior a R$ 1 milhão e para dar retorno é preciso evitar que as máquinas fiquem ociosas. Além dos equipamentos para produzir os briquetes, a fábrica deve contar com silo, secador, moinho e picador. Para auxiliar na consolidação do projeto, o produtor pode buscar orientação no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A entidade ajuda no desenvolvimento do plano de negócio e disponibiliza um manual de como montar a fábrica de briquetes.

 

Quem são os compradores

Os principais mercados são o segmento industrial, que emprega o combustível em suas caldeiras, e estabelecimentos do ramo de alimentação que utilizam forno a lenha, como padarias e pizzarias. As indústrias compram um volume bem maior, mas pagam bem menos: em torno de R$ 200 por tonelada. Já o setor de alimentação paga até R$ 1,5 mil por tonelada. “Se a produção está próxima a uma cidade com muitas pizzarias, pode ser vantajoso optar por atender esse tipo de cliente”, sugere Dilcio.

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