10 fatos que você precisa saber sobre Matopiba

A chamada “última fronteira agrícola” do país apresenta desafios e oportunidades para produtores com espírito de aventura

Matopiba é uma potência agro em formação. Sem grande relevância para o agronegócio até pouco tempo atrás, a região hoje é destaque pela crescente produtividade e agricultura de alta tecnologia. Conhecida como a “última fronteira agrícola do país,” Matopiba compreende a maior parte do estado do Maranhão, todo o território de Tocantins, o sudoeste do Piauí e o oeste da Bahia. Daí o nome, junção das iniciais desses quatro estados. Matopiba desponta com um futuro promissor mas também enfrenta grandes desafios para se consolidar como símbolo da agricultura moderna e sustentável do Brasil. Conheça mais sobre a região de Matopiba:

1. Em Matopiba moram mais de 6 milhões de pessoas (3% da população brasileira), nos 337 municípios da região. O Maranhão abriga 60% da população de Matopiba. Com 286.787 habitantes, Palmas (TO) é a única capital de estado e a maior cidade da região, seguido por Imperatriz (MA), com 254.569 habitantes e Araguaína (TO), com 176.960, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017.

2. Com uma área de cerca de 73 milhões de hectares, se Matopiba fosse um estado, seria a quarta maior unidade federativa do Brasil: um território comparável à duas Alemanhas e quase três vezes maior que o estado de São Paulo.

3. Matopiba responde por 10% da safra nacional de grãos e deve triplicar a produção nos próximos anos, afirma a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em estudo de 2017. Algodão, soja e arroz são as principais culturas da região, que conta também com cultivos de milho, feijão, café, cana de açúcar, uva, melancia e outras frutas.

4. A rápida expansão agrícola da região contrasta com a realidade histórica de Matopiba. Lá existem 324 mil estabelecimentos agrícolas, mas a grande maioria é de baixa produtividade. Cerca de 80% desses estabelecimentos são classificados como muito pobres e respondem por apenas 5,22% da renda bruta da região. As propriedades pobres (14%) geram outros 8,35%. Cerca de 85% da renda bruta da fronteira agrícola vem de apenas 6% de suas propriedades rurais: 5,69% dos estabelecimentos agrícolas da região são classificados como de classe média respondem por 26,74% do PIB enquanto que apenas 0,42% das fazendas de Matopiba (cerca de mil propriedades) são de alto rendimento e respondem por quase 60% da renda bruta da região.

5. A população de Matopiba tem baixa renda per capita, mas a pobreza está diminuindo. Segundo dados de 2010 do IBGE, o PIB per capita anual e´ de R$ 7.950 na região, 17% abaixo da renda média anual do Nordeste (R$ 9.560), região com o menor PIB per capita do Brasil. No entanto, o PIB per capita de Matopiba aumentou 117,8% de 1999 a 2011. Em 1991, todos os 337 municípios de Matopiba tinham Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) muito baixo. Em 2010, só três municípios permaneciam com IDHM muito baixo, enquanto que 161 municípios tinham IDHM médio e 13, alto.

6. A falta de infraestrutura da região levou a iniciativa privada a pôr a mão na massa. A Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa) lançou em 2013 um projeto de recuperação de estradas vicinais que já restaurou mais de mil quilômetros de rodovias no oeste baiano. A Patrulha Mecanizada é uma parceria entre a associação, produtores e onze prefeituras da região, com recursos do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro). Mais de R$ 20 milhões já foram investidos, sobretudo na aquisição de maquinário. Este ano, a Patrulha asfalta o primeiro trecho de via recuperado pela iniciativa, com a pavimentação de 33 km da chamada “estrada da soja” no distrito de Roda Velha, em São Desidério. A Patrulha Mecanizada também realiza obras de proteção de nascentes e outras iniciativas ambientais.

7. Matopiba tem 91% do seu território dentro do bioma do Cerrado, região de valor estratégico para o equilíbrio hídrico do país. Conhecido como o “berço das águas”, o Cerrado abriga nascentes de oito das doze bacias hidrográficas do país. Matopiba é banhada pelas bacias dos rios Tocantins/Araguaia, (que abrange 42% do território da região), Parnaíba (20%), São Francisco (18%) e Bacia do Atlântico-Nordeste Ocidental (19%).

8. Mais de 77% da região tem clima tropical, semiúmido, com temperatura média mensal de 18° C ao longo do ano e períodos de seca de 4 a 5 meses. A seca é um desafio para os produtores em algumas áreas de Matopiba. De acordo com um estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com dados climáticos da região de janeiro de 1992 a dezembro de 2013, o oeste baiano apresentou os menores índices pluviométricos de Matopiba nos últimos 21 anos, com media mensal de 74,66 mm no período. O Piauí teve a segunda menor media mensal: 88,9 mm no período. Para comparar, o estado de São Paulo recebeu, em média, 120 mm de chuva por mês nos últimos 30 anos, informa a empresa Climatempo.

9. Em um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) no Matopiba, com entrevistas realizadas em 91 estabelecimentos agrícolas de diferentes tamanhos e níveis médios de pluviosidade, 55% dos produtores entrevistados registraram perda de produtividade nas últimas oito safras. Desses, 52% afirmaram que as causas são climáticas, relacionadas ao encurtamento ou atraso do período chuvoso. Diversos estudos científicos afirmam que a perda de vegetação nativa do Cerrado pode ter impacto negativo relevante sobre o ciclo hidrológico do bioma.

10. O Global Environment Facility (GEF), programa de financiamento do Banco Mundial para projetos de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, aprovou, em setembro de 2017, investimento R$ 22 milhões para promover a transição para uma agricultura de baixo carbono nos estados do Tocantins e Bahia. O projeto, “Reduzindo o Desmatamento na Cadeia Produtiva de Soja”, foi desenvolvido pela organização sem fins lucrativos Conservação Internacional (CI-Brasil), entidade de origem norte-americana responsável pela implementação do projeto, que tem como parceiros a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). A SRB também trabalha para implementar o Código Florestal na região.

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