7 razões para confiar na aviação agrícola

Aviação agrícola. Foto: Shutterstock

Com mais de 70 anos em operação no Brasil e a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, o setor respeita inúmeros critérios para garantir o padrão de segurança e qualidade da aplicação aérea

A aviação agrícola é uma atividade de grande importância para o agronegócio pois permite a pulverização de agroquímicos em áreas extensas, sem causar amassamentos nas plantações e compactação de solo. Além disso, a prática permite aplicar defensivos químicos em um período de tempo mais curto em comparação com a aplicação terrestre, gerando ganhos em escala e redução de custos ao produtor (a Rede AgroServices oferece serviços de aplicação aérea por meio do resgate de pontos, confira ofertas aqui).

O setor é tradicional no Brasil, com mais de 70 anos em operação. Segundo estudo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), atualmente a frota brasileira conta com 2.115 aeronaves, sendo a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. “A aviação agrícola é uma ferramenta valiosa para o produtor e observamos um crescimento exponencial nos últimos anos pela necessidade de incremento de produtividade nas lavouras”, afirma Tiago Textor, gestor de segurança operacional e piloto da Aerotek Aviação Agrícola. “As tecnologias estão evoluindo bastante e buscamos uma produção sustentável. O setor está sempre preocupado com a crescente necessidade de respeito ao meio ambiente.”

A atividade é resguardada por várias exigências legais com o objetivo de garantir operações seguras para o piloto, para a população e o meio ambiente. O setor da aviação agrícola é regido pela Lei federal n 917/1969 e pelo decreto n° 86.765/1981, que determinam a atuação e fiscalização do segmento, pela Lei Federal nº 13.475/2017, que regulamenta o exercício dos pilotos, e pela Instrução Normativa 02/2008 do Ministério da Agricultura, com os padrões técnicos operacionais e de segurança para defesa agropecuária. Um dos detalhes em relação à legislação que se destaca é a proibição de aplicação aérea em áreas localizadas em até 500 metros de cidades, comunidades e povoados, e locais com captação de água como rios e mananciais.

Embora seja um setor tradicional e reconhecido pelo profissionalismo e legalidade, muitas vezes surgem ações polêmicas questionando a atividade, como por exemplo a lei estadual sancionada no Ceará que proíbe a aviação agrícola no estado. Entidades do setor e empresas buscam divulgar informações sobre a atividade para esclarecer a população. Confira 7 curiosidades sobre segurança na rotina da aviação agrícola.

 

1 - Aviões agrícolas supervisionados

Para operar, as aeronaves precisam de autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão que traça diretrizes para a atuação de empresas aéreas e aeroportos, elaborando normas e certificando empresas e profissionais do setor. As aeronaves agrícolas precisam ter o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) e passam por uma inspeção anual fiscalizada pela Anac.

Cada modelo de aeronave tem um plano próprio de manutenção e os operadores precisam cumprir vários requisitos para que os aviões agrícolas sejam aprovados e consigam a declaração de Inspeções Anuais de Manutenção (IAM). “Essa inspeção anual atesta que a aeronave está com a manutenção em dia e pode realizar a operação de forma segura”, explica Tiago Textor, gestor de segurança operacional e piloto da Aerotek Aviação Agrícola. Além disso, todos os aviões precisam ter um seguro obrigatório para cobertura de danos a terceiros, chamado de Seguro RETA. Para se certificar de que a operação é segura, a dica para o agricultor é pedir a apresentação da documentação da aeronave. O avião agrícola só pode decolar se tiver registro e IAM válidos.

De acordo com Tiago Textor, a rotina na empresa aeroagrícola exige inúmeros cuidados diários, entre eles a necessidade de ter pátios de descontaminação. Cada avião opera com um tipo de combustível, que pode ser querosene, gasolina e etanol. O abastecimento é cuidadoso, exige o aterramento do avião e um processo de drenagem para eliminar resíduos. O recipiente que acomoda os defensivos no avião é fabricado com fibra de vidro, um material que não reage com esses produtos químicos e também exige limpeza, por exemplo. “Há cuidados específicos para que não se tenha nenhum problema de contaminação”, diz Textor.

 

2 - Atendimento ao agricultor

Quando o produtor rural contrata uma empresa de aplicação aérea, o atendimento segue etapas claras que garantem a segurança do procedimento. Primeiramente, um engenheiro agrônomo vai identificar as necessidades do agricultor e verificar quais são os defensivos químicos que ele deseja pulverizar na lavoura. O engenheiro agrônomo então vai checar as orientações de bula dos produtos e verificar a legalidade da operação, conferindo junto ao Ministério da Agricultura se o uso é autorizado. Caso o produto seja proibido para aplicação aérea, a empresa não realizará a operação e explicará ao produtor os impedimentos legais.

 

3 - Planejamento de voo

Os profissionais de aplicação aérea identificam a presença de rede elétrica, se há moradias nas proximidades da lavoura e as condições de terreno e clima. Com isso, eles preparam o plano de voo em conformidade com a legislação. “Mapeamos toda a área usando o Google Earth. Depois, técnicos rodam o campo para verificações e fazer uma análise prévia. O piloto então faz um sobrevoo para verificar se a área está de acordo com o planejamento”, explica Textor. Após a etapa de verificações e quando aprovado o plano de voo, um técnico capacitado prepara a calda para a aplicação aérea seguindo as orientações de bula dos defensivos e utilizando equipamentos de proteção individual (EPIs).

 

4 - Tecnologia e segurança

Os pilotos observam muitos detalhes durante o voo, eles acompanham o nível de combustível do avião, a autonomia, o peso da carga e vários parâmetros, mas novas tecnologias estão melhorando a jornada de trabalho. De acordo com Textor, a adoção de GPS promoveu um salto na qualidade e segurança das operações de aviação agrícola por permitir um mapeamento preciso das áreas de pulverização. “O avião voa baixo, a altura de aplicação é de 4 a 5 metros em relação à cultura e a questão de mapeamento do terreno é muito importante para a segurança e qualidade da aplicação”, diz Textor. “O GPS ajuda muito pois conseguimos inserir as redes elétricas no arquivo de aplicação, contribuindo com a identificação das redes e aumentando assim a segurança da operação. E o mapeamento das áreas, através da ferramenta Google Earth, auxilia o piloto a evitar obstáculos no terreno, tornado assim a operação mais segura.”

Além disso, segundo o gestor de segurança operacional da Aerotek, a automação está avançando. “Temos hoje o controlador de fluxo, um equipamento que reduz a carga de trabalho do piloto. O piloto digita a vazão e o controlador regula a quantidade de litros de defensivo para aplicação por hectare automaticamente, dando maior precisão para a aplicação”, afirma ele.

 

5 - Clima monitorado

As empresas de aviação agrícolas estão comprometidas com a qualidade da aplicação e buscam evitar a deriva, fenômeno que ocorre quando partículas de defensivos são levados pelo vento para áreas indesejadas, causando prejuízos em fazendas vizinhas e danos ambientais, por exemplo. “Temos técnicas específicas de redução de deriva. O bom prestador de aplicação aérea controla o tamanho de gota [dos defensivos] e observa muitos parâmetros para a segurança e qualidade da operação”, afirma Textor.

Segundo ele, é mandatório observar as condições climáticas. “Operamos entre 6h e 10h, que é o período de condição climática mais favorável e temos um cuidado especial com as manobras de voo por conta dos obstáculos”, diz Textor. “Precisamos obedecer critérios de temperatura, umidade e vento por questões de segurança e qualidade da aplicação. Trabalhamos com temperatura de até 32 graus, umidade relativa do ar acima de 50% e velocidade do vento de 3 até 15 quilômetros por hora.” A legislação determina que as operações de aviação agrícola podem ser realizadas após meia-hora antes do nascer do sol e até meia-hora após o pôr do sol.

 

6 - Pousos e decolagens

As condições da pista são essenciais para garantir a segurança durante os pousos e decolagens. Os técnicos e pilotos agrícolas observam com cautela se a pista da fazenda oferece condições adequadas para a operação. Segundo o gestor, esse cuidado é uma prioridade no plano GRSO, que significa Gerenciamento de Risco de Segurança Operacional. “Avaliamos cada pista para verificar o comprimento, largura e se o piso está irregular ou não. Não pode ter poças d’água porque isso é um perigo em pista de pouso. O padrão é que a pista tenha pelo menos 1000 metros de comprimento por 25 metros de largura para ser considerada segura”, diz Textor.

 

7 - Pilotos e capacitação

Para pilotar um avião agrícola, o profissional precisa ser bem capacitado. A Anac determina a grade curricular dos pilotos e experiência exigida. A formação do profissional demanda três a quatro anos e o piloto precisa comprovar no mínimo 370 horas de voo comercial para se tornar um piloto agrícola. Para se certificar de que as operações são seguras e dentro da legalidade, o agricultor pode consultar o prefixo da aeronave no site da Anac e pode exigir que o piloto apresente o documento CHT, o certificado de habilitação técnica que comprova a capacitação para atuar como piloto. “O produtor também pode consultar o CNPJ do prestador para verificar se é uma empresa agrícola legalizada e outro bom indicador de segurança é o CAS, a Certificação Aeroagrícola Sustentável”, diz Tiago Textor.

O CAS é um programa voluntário de certificação para empresas de aviação agrícola. As empresas certificadas adotam boas práticas com foco em responsabilidade ambiental na aplicação aérea para uma pulverização eficaz e segura de agroquímicos. O setor de aviação aérea também sempre busca coibir operações irregulares ou clandestinas. Em caso de suspeita, qualquer pessoa pode realizar denúncia à Anac.

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