Engenheiros agrônomos estão reinventando a rotina da profissão

A adoção de novas tecnologias e evolução no comportamento do produtor rural impulsionam mudanças na atuação dos profissionais


No dia 12 de outubro é comemorado o Dia do Engenheiro Agrônomo, data em que foi regulamentado o exercício da profissão pelo Decreto n° 23.196/1933. Esses profissionais estão muito presentes nas fazendas brasileiras, acompanhando a rotina dos mais diversos cultivos, desde o planejamento da compra de insumos até o momento da colheita e planejamento da comercialização.

O agronegócio está se modernizando rapidamente e o mercado se tornou um ambiente mais competitivo. Sem dúvidas, isso exige que os agrônomos desenvolvam novas aptidões e se preparem para um futuro promissor. Para entender como esses profissionais estão se reinventando e celebrar a data, conheça a história de dois engenheiros agrônomos apaixonados pelo campo e suas lições para o futuro da Agronomia.

 

Paixão desde a infância

O engenheiro agrônomo Ademir Santini, Gerente de Marketing Operacional da Região Centro-Sul da Bayer, descobriu a vocação para o agronegócio ainda na infância, enquanto ajudava a mãe no manejo de cultivos de alface, almeirão e outros produtos de hortifruti. “Cresci cuidando da horta caseira, com os pés sujos de barro. Desde pequeno ia para o sítio da família e pensava em ser produtor”, conta. Aos 15 anos, ele se mudou da cidade natal Peabiru (PR) para Maringá e teve contato com cooperativas de produtores da região. Foi a partir desse momento que o paranaense começou a conhecer a área da Engenharia Agronômica e não teve dúvidas sobre qual profissão escolher.

Aos 17 anos, ingressou na faculdade. Entre as experiências mais marcantes dessa época, Santini se recorda do primeiro projeto agronômico que desenvolveu, com foco em duas safras de algodão. “Quando levei o meu projeto de agricultura a ser implementado para um produtor e tive resultados muito positivos, isso me marcou. Foi um passo importante para entrar no mercado de trabalho”, conta Santini. “Eu me sinto muito realizado, engenheiro agrônomo era exatamente o que eu queria ser. Sou muito feliz com essa escolha.”

 

Mudanças na profissão

De lá para cá, Santini atuou no cultivo de frutas, hortaliças, cana-de-açúcar, café e grãos, acumulando mais de 25 anos de experiência em sua trajetória profissional. Segundo ele, muita coisa se transformou nas últimas duas décadas. Os agrônomos são desafiados a cada safra por novas tecnologias e exigências. “Naquela época, a Agricultura de Precisão não existia, a gente fazia correção de solo na área total do produtor, enquanto que hoje conseguimos mapear cada talhão”, conta.

Ele também cita como exemplo o manejo de plantas daninhas. A pulverização, que no passado era realizada em toda a fazenda, passou a ser mais eficiente de acordo com o monitoramento por área. “Outro exemplo é que a análise de solo era feita em profundidade de 0 a 20 centímetros. Hoje se faz de 20 a 40 centímetros, onde o sistema radicular está presente, e também conseguimos monitorar as necessidades da planta.”

 

Agronomia digital

A adoção de modernos softwares de monitoramento, a análise de imagens captadas via satélite e uso de outras ferramentas digitais estão revolucionando a agricultura. Como consequência desse processo, os agrônomos também precisam se atualizar. “As mudanças acontecem a cada segundo. O profissional precisa se adaptar aos cenários de mercado e manter uma rotina de estudos. Se não avançar nos conhecimentos, fica fora do mercado agro”, afirma Santini.

Além disso, segundo ele, as novas gerações de produtores têm muito acesso à informação e eles são mais questionadores. Por isso, o profissional da Agronomia deve ter conhecimentos sólidos e transmitir mais credibilidade. “O produtor também está mudando. Para mim, a palavra-chave para trabalhar é confiança, precisamos construir um relacionamento duradouro. O agrônomo tem que estar muito seguro para definir as estratégias ou essa relação de confiança se abala”, opina Santini.

 

Mais diálogo e confiança

Por outro lado, a vantagem dos tempos atuais, segundo Santini, é que os produtores estão mais abertos ao diálogo. Assim, é mais fácil compreender técnicas sustentáveis e estratégias que não dão retorno financeiro imediato, como a adubação verde e rotação para o controle de nematoides, por exemplo. “Atualmente, temos mais facilidade para levar essas propostas de valor ao campo. No passado, os produtores eram muito desconfiados e se fechavam”, diz Santini.

Embora haja muitas transformações na rotina do engenheiro agrônomo e nas relações com os produtores, uma coisa não muda: o papel desse profissional continua imprescindível para o campo. “O avanço do Brasil de maneira significativa em relação à tecnologia e produtividade foi graças ao nosso trabalho, o trabalho incansável dos engenheiros agrônomos. Somos valorizados dentro e fora da porteira. Temos que trabalhar de forma consciente e sustentável para fazer com que a produção de alimentos seja suficiente para atender a população”, afirma Santini. “O futuro da agricultura está no brasil e existe um mundo de oportunidades.”

 

Agricultura familiar

O engenheiro agrônomo Valmir Marson, Representante Comercial Especialista da Bayer na região Norte de São Paulo com sede em Votuporanga, também se apaixonou pelo agronegócio ainda na infância. “Sou filho de produtor rural, morava com meu pai na propriedade rural. Cresci trabalhando na lavoura, na produção de café, de leite, arroz e feijão para consumo próprio. Temos 18 agrônomos na família”, conta Marson.

Por isso, foi muito natural para ele optar pela Engenharia Agronômica, iniciando a faculdade em Paraguaçu Paulista (SP) em 1980. “Foi uma das melhores fases da minha vida, a faculdade trouxe uma nova visão sobre a agricultura. Consegui dois estágios remunerados e seis meses depois arrumei emprego. Sou muito feliz por ter me encontrado nessa profissão”, lembra Marson.

 

Novas relações comerciais

Marson construiu toda a sua carreira na área comercial, sempre no setor de defensivos agrícolas. Passadas mais de três décadas, a experiência permitiu retratar mudanças expressivas nas negociações comerciais com os produtores. Segundo ele, o comportamento do cliente mudou muito, o que exige maior capacitação dos profissionais. “Hoje em dia, o perfil do agrônomo tem que ser completo, não pode ser apenas um vendedor. Ele tem que ir além do conhecimento técnico e precisa ajudar o cliente a entender melhor vários problemas e aspectos mais amplos da fazenda, como negócios, gestão de pessoas e tendências de mercado”, diz Marson.

 

Abordagem diferenciada

A rotina atual também exige mais planejamento e eficiência no trato com os clientes. “Mudou a forma de abordar o cliente. Ele é ocupado e não tem mais tempo para falar de assuntos que não sejam importantes para o negócio. A visita tem que ter um objetivo. A nossa rotina tem que ser mais planejada e organizada, temos que conhecer melhor o cliente”, afirma Marson.

Ele destaca que a internet mudou o cenário das relações comerciais. Por isso, o vendedor deve ter uma postura mais estratégica e buscar novas habilidades. “Para tirar um pedido, o produtor não precisa de pessoas. Ele compra pela internet, pelo aplicativo”, diz Marson. “Precisamos estudar os problemas do produtor, suas necessidades, e levar soluções, não somente produtos. O mercado hoje é mais competitivo e o cliente espera mais do profissional, então temos que trabalhar de uma maneira diferenciada. A parte comercial é uma consequência natural da relação duradoura com o cliente.”

 

Visão de futuro

Quem está iniciando na carreira pode encontrar dificuldades, especialmente pela falta de experiência. Para ter sucesso, Marson recomenda investir em capacitação técnica, idiomas e computação para se diferenciar. “O agro vai precisar cada vez mais de pessoas preparadas, com conhecimento técnico e de plataforma digital. A recomendação é que [o jovem] se prepare, busque relacionamentos em diferentes setores e esteja sempre disponível para aprender.”

À medida que o profissional for adquirindo experiência, deve construir fortes laços com os agricultores. “Para se manter no mercado, o agrônomo tem que trabalhar com muita confiança e ter um relacionamento duradouro com o cliente. Isso é fundamental para o sucesso”, diz Marson. “O produtor é visto como um empresário rural e precisa de uma gestão melhor, ele está buscando diversificar culturas e aumentar a produtividade. O papel do agrônomo é de grande importância para gerar valor ao cliente e ganhos produtivos.”

Quer sugerir um tema para reportagem na Rede AgroServices? Envie a sua sugestão para o e-mail redeagroservices@bayer.com.

COPYRIGHT © BAYER S.A - Última atualização: 6/12/2016 (1.0.2365)