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26.07.2018

Um campo de inovações

Desde a virada do século XXI, o desenvolvimento tecnológico tem brindado a humanidade com ferramentas que se converteram em importantes aliadas do homem em diversas áreas de atuação, desde o desenvolvimento da indústria até a medicina. Na agricultura não poderia ser diferente e o melhor é saber que essa empreitada está apenas começando!

Por André Moraes

A tecnologia, embora atualmente conhecida por aparatos cada vez menores e mais capazes de processar milhares de informações por segundo, vem transformando a vida de todos há centenas de anos. Muito antes dos smartphones, a evolução tecnológica nos apresentou a prensa, a locomotiva, o primeiro carro, o rádio e inúmeras outras “inovações” que hoje nos parecem arcaicas.

Drone na agricultura. Foto: Luciano Menezello.Ainda assim, é inegável que, com a criação do computador na década de 40 e da internet em 1969, os avanços passaram a acontecer em alta velocidade. Em 70 anos, o mundo e a forma como vivemos nele foi drasticamente modificada pelo uso das tecnologias. Da facilidade da impressora 3D, até a incrível capacidade de se operar um coração com a ajuda de nano-sensores, a tecnologia cada dia mais nos auxilia na solução de diversos problemas em infinitos cenários.

A agricultura com certeza faz parte dessa evolução. No campo, a tecnologia é uma aliada indispensável diante de desafios, como a escassez de recursos naturais e uma população mundial crescente. Assistimos a transformações inegáveis nessa atividade milenar que já não se resume ao processo “semear, cuidar, colher”, mas sim a um conjunto complexo de práticas que contemplam a análise de dados com softwares de processamento e interpretação de imagens, ferramentas de monitoramento climático nas lavouras e até mesmo robôs que verificam os nutrientes no solo às vésperas da plantação.

Tamanho avanço, claro, só é possível porque o setor tem investido cada vez mais em estudo e pesquisas, que resultam em inovação. Por exemplo, quando olhamos para o controle de pragas e doenças nas lavouras, identificamos importantes tecnologias que aperfeiçoam a utilização de defensivos agrícolas. Entre essas novas soluções, é importante destacar o papel fundamental desempenhado pelos drones.

 Já estão sendo desenvolvidos estudos para entender como esta tecnologia pode ser útil também na aplicação de defensivos agrícolas. No mercado de frutas e hortaliças, um dos mais fortes na América Latina, por exemplo, aplicações de baixo volume e com mais precisão ajudarão produtores não só a otimizar custos, como a superar algumas barreiras. Muitos destes cultivos – como abacaxi, banana, uvas e outras frutas delicadas – ainda dependem da utilização de aplicadores costais por não comportarem o uso de maquinário pesado. Plantações de café em terrenos complexos como morros e encostas poderão igualmente se beneficiar desta solução, evitando que agricultores se exponham a riscos na hora das aplicações.

Vale considerar também a eficiência por trás da tecnologia, uma vez que pesquisas preliminares em diferentes instituições mostram uma drástica redução de tempo de aplicação por hectare. Esse, a meu ver, é um avanço ainda mais importante, porque beneficia diretamente o produtor rural. Estamos falando da substituição de 12h/hectare de aplicação, uma atividade que exaure um aplicador costal, por exemplo, por apenas 15 minutos/hectare de voo com um drone, que poderá ser controlado por esse mesmo aplicador. Esta incrível redução de tempo por hectare já foi alcançada em campos de arroz, na China.  

Apesar de se tratar de um projeto em fase piloto na América Latina, acredito que a implementação de drones, como uma nova ferramenta de aplicação ou coleta de dados, caminha para ser a mais recente etapa de uma revolução agrícola que todos pensavam ter acabado com a chegada de colheitadeiras automáticas e tratores que se auto conduzem. Não sem motivo, uma pesquisa realizada pela consultoria PwC verificou que o mercado de soluções com drones na agricultura chegará a movimentar $32,4 bilhões de dólares no mundo.

Nós, na Bayer, acreditamos que a inovação na agricultura é essencial para aprimorar o modo como produzimos alimentos no mundo. Os avanços tecnológicos não param e chegaram para mostrar que esta empreitada está apenas começando, reforçando assim, o fato historicamente comprovado: quando humanos e máquinas se dedicam a um bem comum, o resultado é sempre impressionante.

* André Moraes é Diretor de Desenvolvimento de Produto na divisão Crop Science da Bayer para América Latina.  Especialista com ampla experiência em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), mestrado em Agronomia e MBA em Gestão Econômica e Estratégica de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas / FGV.