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27.04.2018

Plano de sucessão: como se preparar

O planejamento sucessório tem que fazer parte da estratégia da fazenda, afirma especialista. Quanto mais cedo, melhor

Frank Edwin Duurvoort – Rede AgroServices

Foto: Aleksandra Smykalova/Shutterstock
(Foto: Aleksandra Smykalova/Shutterstock)
A sucessão é um processo complexo, técnico, delicado e, ao mesmo tempo, natural. Afinal, todo profissional um dia será substituído. No entanto, como definir o melhor momento para realizar uma troca de comando, ainda mais em um empreendimento familiar, uma organização que mistura gestão racional com laços afetivos e histórias pessoais de lutas e conquistas?”
 

A sucessão é um assunto que deve ser abordado com antecedência, antes que a sua solução se torne um problema urgente. “O momento certo para fazer um planejamento sucessório é agora. A estratégia de sucessão precisa fazer parte do plano de negócios da fazenda,” afirma João Paulo Prado, diretor da MPrado Consultoria Empresarial, empresa especializada em planejamento e gestão agrícola, recursos humanos e sucessão. “Portanto, quanto mais cedo começar, mais suave será esse processo de transição.

 

Um problema brasileiro

Uma questão de foro íntimo para as famílias envolvidas, a sucessão também gera impactos para a sociedade e a economia brasileira. Por falta de planejamento sucessório, de cada três empresas familiares, duas não conseguem sobreviver além da segunda geração de gestores e só 14% ultrapassa duas gerações de sucessores, segundo dados do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A baixa longevidade das empresas familiares é um relevante empecilho na geração de emprego e renda no país.

Um problema comum em processos sucessórios é a falta de experiência dos gestores em compartilhar o poder de comando. O negócio foi bem sucedido a partir do trabalho de uma só pessoa, o fundador, e agora e os herdeiros precisam encontrar um jeito de administrar a fazenda em sociedade. Há problemas de delegação de poder entre pais e filhos, enquanto os irmãos não conseguem definir quem será responsável pelo quê. Muitas empresas acabam desaparecendo sob o comando da primeira geração de herdeiros por conta de um processo sucessório improvisado, sem planejamento.

Nas empresas familiares, a sucessão é vista como um processo praticamente automático de delegação de poder, onde a geração que está na direção do negócio simplesmente passa o bastão para um ou mais membros da nova geração da família. Na realidade, a sucessão é uma engenharia intrincada, que exige cautela e precisa ser executada com muita conversa, inteligência e cuidado para evitar brigas e conflitos de interesse, que podem causar sérios prejuízos para a empresa e os relacionamentos entre familiares. Além disso, uma sucessão mal executada pode colocar alguém despreparado na direção do negócio da família.

 

Herdeiro nasce, sucessor é preparado

É de pequeno que se que se faz um sucessor. O produtor que quer preparar a sua sucessão precisa encorajar seus herdeiros a visitar e se envolver com a propriedade desde cedo. Quando tiverem idade o suficiente, os candidatos a sucessor devem ganhar experiência prática, trabalhando em diferentes funções da fazenda. O fundador também deve estar disposto a ser um bom professor. A transmissão de conhecimento e experiências é uma vivência de grande valor para os futuros sucessores e uma prioridade para o fundador.

Prado aponta para a importância do produtor promover uma cultura favorável à sucessão dentro de sua família a partir de sua própria atitude em relação à atividade. “Muitas vezes os filhos não querem suceder ao fundador por conta do exemplo que ele passa. Os filhos não aguentam mais ouvir do pai aquelas histórias de sofrimento e de dificuldades no seu dia a dia lá na fazenda. O fundador passa muita raiva e negatividade quando fala da fazenda e aí ninguém quer assumir”, afirma. “O primeiro passo é o fundador mostrar os benefícios e o orgulho que ele sente por estar dentro do agro.”

Outra atitude que o produtor precisa assumir é estar aberto à sugestões, críticas e ideias novas. O agronegócio brasileiro evoluiu muito nas últimas décadas e passa por uma revolução tecnológica com a agricultura de precisão, a biotecnologia e outras tantas inovações. Por isso, é importante estimular os potenciais sucessores a buscarem uma educação relacionada ao mundo dos negócios ou à atividade agrícola – e depois ouvir o que eles têm a dizer.

É fundamental haver transparência e diálogo em todo o processo de planejamento sucessório. O fundador precisa ter certeza que todos os envolvidos concordam que chegou o momento de se discutir a sucessão na fazenda. É preciso ter critérios claros e de comum acordo para nortear a escolha do sucessor. Caso haja na família um candidato a sucessor, este deve ser eleito entre seus membros e não imposto pelo fundador. A falta de legitimidade dada pelos familiares será fonte de desgaste constante na relação entre o novo gestor e os demais proprietários daquele empreendimento.

 

Profissionalização e holding

Quando nenhum filho tem perfil ou demonstra interesse para suceder ao fundador na propriedade, existem algumas alternativas à disposição desse produtor. “Em propriedades grandes, a alternativa mais comum é a profissionalização da gestão dessa fazenda”, conta Prado. “Nesse caso, você passa a gerir a fazenda como uma empresa. Você vai ao mercado buscar seus profissionais, executivos que possam dar resultado para os herdeiros. Mas os filhos permanecem no conselho da empresa. É o executivo a pessoa que está à frente do negócio, que toma decisões operacionais e até estratégicas. Mas quem tá vendo se o negócio está sendo bem gerido são os filhos porque aquilo é o patrimônio deles.”

O processo de profissionalização frequentemente tem início na transformação da empresa familiar em holding, Prado explica. A holding é uma estrutura societária onde os herdeiros viram sócios, com direitos e deveres estabelecidos de comum acordo. É fundamental estabelecer as regras que irão orientar a conduta e o relacionamento entre os sócios, ainda mais em empresas familiares, em função dos relacionamentos entre eles fora da empresa. A distribuição de lucros e a estrutura da direção da empresa estão entre os principais pontos que precisam ser bem detalhados. A constituição de uma holding costuma ser demorado e exige muita transparência e diálogo. É um processo trabalhoso e técnico, que envolve questões políticas, jurídicas e administrativas, mas também rende resultados duradouros.

Através da holding, os membros da família têm participação decisiva no processo de elaboração de políticas estratégicas da fazenda, sem que haja necessidade de todos ocuparem posições no comando da empresa. Bem estruturado, a holding mantém a família unida em torno de seu legado e objetivos em comum, visando agregar valor para as futura gerações.

 

Aprenda mais sobre sucessão

A MPrado publicou recentemente um e-book sobre sucessão, com muitas dicas e informações úteis sobre o assunto. Para baixar o e-book, clique aqui.

Conheça a experiência pessoal da citricultora Sarita Junqueira Rodas, que sucedeu ao pai na fazenda da família, tema de reportagem especial da revista Safra Rica, que a Rede AgroServices publicou em fevereiro passado.

 

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