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19.04.2018

Especial Cultivar Máquinas: boas práticas de semeadura do milho

Especialistas analisam a melhor escolha de semeadoras de milho em artigo exclusivo da versão para assinantes da Revista Cultivar Máquinas

Revista Cultivar Máquinas no. 182 – março/2018
revista cultivar máquinas
(Fotos: Weslei de Siqueira Ribeiro)

As semeadoras devem proporcionar regularidade de profundidade, uniformidade na distribuição da semente na linha com espaçamento adequado, fácil regulagem e possibilidade de trabalho a velocidades mais elevadas. Assim, os mecanismos sulcadores são decisivos para o sucesso da implantação da cultura, mas problemas com relação a estes mecanismos ainda são detectados

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra 2018 será de 92,29 milhões de toneladas, distribuídas entre primeira safra, com 25,12 milhões de toneladas, e segunda safra, com 67,17 milhões de toneladas.

Para a semeadura do milho, utilizam-se máquinas destinadas ao plantio de espécies vegetais, que se reproduzem por sementes, chamadas semeadoras. Sua função é distribuir uniformemente no solo certa quantidade de sementes com disposição predeterminada. Para isto, é necessário que a máquina promova a abertura e modelagem do sulco, a distribuição das sementes, a cobertura do sulco e a leve compactação do solo ao redor das sementes, a fim de promover a eliminação dos bolsões de ar no solo.

No processo de semeadura, fatores como quantidade a ser plantada, solo, máquina, clima e operador afetam o sucesso da implantação da cultura. As semeadoras devem permitir uma regularidade de profundidade, uniformidade na distribuição da semente na linha com espaçamento adequado, fácil regulagem e possibilidade de trabalho a velocidades mais elevadas, desde que não afetem o estabelecimento inicial da cultura.

As semeadoras com distribuição de sementes na linha de precisão são dosadas com espaçamento uniforme, tendo pequena variação do número e posição da semente na linha. As máquinas podem possuir o sistema de dosagem de sementes na linha do tipo mecânico ou pneumático. No sistema mecânico para a semeadura de sementes graúdas, como o milho, o mais comum é utilizarmos o disco alveolado horizontal.O princípio de dosagem mecânico de sementes pode apresentar maior influência da velocidade de trabalho do conjunto mecanizado trator-semeadora, afetando a distribuição longitudinal de plântulas.

Diversos autores afirmam que a semeadura mecanizada pode proporcionar distribuição desuniforme da semente na linha. Plantas muito próximas umas das outras na linha irão competir entre si, inibindo o seu desenvolvimento, com maiores comprimentos do hipocótilo e reflexos negativos na produtividade da cultura.

hastes sulcadores e discos sulcadores avaliados no teste

O teste levou em conta diferentes tipos de hastes sulcadores e discos de sulcadores em diversos tipos de terreno e cobertura

Pesquisas científicas mostram que o aumento da velocidade de semeadura pode influenciar no estabelecimento de plântulas, reduzindo o percentual de espaçamentos aceitáveis e aumentando o número de falhas entre as mesmas, e maiores porcentuais de espaçamentos falhos e duplos são resultado da maior velocidade de semeadura, acima de 9km/h. Ressalta-se também que maiores demandas de potência ocorrem nas maiores velocidades, pois a demanda de potência tem relação direta entre força de tração e velocidade.

Os mecanismos sulcadores são decisivos para o sucesso da implantação da cultura, mas notam-se problemas relacionados a estes mecanismos. O sulcador de hastes apresenta como vantagem a colocação de semente e adubo a maiores profundidades, porém o mesmo é mais exigente de força de tração, manejo adequado da cobertura vegetal e maior consumo de combustível. Já os discos sulcadores minimizam os efeitos negativos apresentados pela haste, mas podem ter problemas com a produtividade se houver baixo teor de água no solo, pelo fato de a semente apresentar a tendência de ser colocada a menores profundidades.

Diante da importância da escolha da velocidade de trabalho no estabelecimento de plântulas de milho nas condições de preparo convencional do solo e com o uso de semeadora com dosagem de sementes com disco alveolado horizontal, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia e da Universidade Federal de Viçosa realizaram experimento, na Universidade Federal de Uberlândia, Campus Monte Carmelo, em condições de campo, com quatro velocidades de trabalho da máquina e dois tipos de mecanismos sulcadores, haste sulcadora e disco duplo defasado.

Em campo, foi utilizada uma semeadora-adubadora, marca Vence Tudo, modelo SA 11500 A, montada no levante de três pontos do trator, marca Valtra, modelo A850, tração 4x2 com tração dianteira auxiliar (TDA), potência nominal de 85cv (62,5kW), rotação de 2.300rpm, 3.300cm³ de cilindrada total e peso máximo permitido 4.675kgf.

A semeadora estava equipada com mecanismos dosadores de sementes do tipo disco alveolado horizontal, disco de corte de palhada liso de 16” de diâmetro, sulcadores para deposição de sementes de discos duplos defasados de 13” de diâmetro e hastes sulcadoras, largura de 0,03m.

Para a adequação das velocidades foram realizados testes preliminares na área do experimento, a fim de determinar as marchas e rotações.

Tabela 1 - Adequação das marchas do trator em função da velocidade de trabalho do conjunto mecanizado

VELOCIDADES

MECANISMO SULCADOR

MARCHA - ROTAÇÃO

2km/h

Disco duplo defasado

L2 – 1.200rpm

4km/h

Disco duplo defasado

L3 – 1.600rpm

6km/h

Disco duplo defasado

L4 – 1.800rpm

8km/h

Disco duplo defasado

H1 – 2.100rpm

2km/h

Hastes sulcadoras

L2 – 1.200rpm

4km/h

Hastes sulcadoras

L3 – 1.650rpm

6km/h

Hastes sulcadoras

L4 – 1.900rpm

8km/h

Hastes sulcadoras

H1 – 2.100rpm


A semeadora-adubadora foi regulada para um espaçamento entre as linhas de 0,45m e um estande de 60 mil plantas por hectare. Foram semeadas cinco linhas, eliminando a primeira e a quinta linhas e obtendo dados das linhas 2, 3 e 4, ou seja, as linhas centrais, renomeadas como linhas 1, 2 e 3.

O parâmetro analisado para verificar a qualidade da semeadura foi distribuição longitudinal entre plântulas classificada em espaçamentos aceitáveis, falhos e múltiplos.

A velocidade de trabalho não afetou o estabelecimento inicial da cultura do milho, este resultado pode estar atribuído devido à velocidade periférica do disco dosador não ter sofrido alteração na capacidade de enchimento do mesmo, fazendo com que não ocorresse diminuição do percentual de espaçamentos aceitáveis.

A não influência da velocidade de trabalho da semeadora no espaçamento entre plântulas é favorável para o produtor, pois pode-se adotar quaisquer velocidades entre 2km/h e 8km/h, pois é sabido que maiores velocidades proporcionam incremento na capacidade operacional do conjunto mecanizado. Além disto, a não alteração da profundidade do sulco na colocação da semente pôde explicar as velocidades de operação não terem influenciado o espaçamento entre plântulas de milho.

A semeadura realizada em terrenos preparados convencionalmente, como a deste trabalho, utilizando disco duplo defasado na colocação da semente no solo, é vantajosa e deve ser preferível quando comparada às hastes sulcadoras, já que estas apresentaram menores valores de espaçamentos aceitáveis entre plântulas. Outra vantagem do uso de disco, como elementos sulcadores, é requerer melhor desempenho operacional com menor consumo de combustível.

gráfico de resutados disco e haste

Os melhores resultados encontrados com disco duplo defasado também podem ser explicados pelo espaçamento entre linhas no plantio de milho de 0,45m, considerado por pesquisadores como sendo o tipo de sulcador ideal para o espaçamento entre linhas utilizado.

Baseado nos resultados, velocidades de semeadura entre 2km/h e 8km/h, dotada com dosadores de disco alveolado horizontal, não influenciam no estabelecimento da cultura do milho e nas condições de preparo convencional do solo, e recomenda-se o uso do disco duplo defasado, devido a melhores resultados de espaçamentos aceitáveis, falhos e múltiplos.

Paula Cristina Natalino Rinaldi
Cleyton Batista de Alvarenga
Renan Zampiroli
Weslei de Siqueira Ribeiro,
UFU
Haroldo Carlos Fernandes,
UFV


* Matéria originalmente publicada na edição de março/2018 (no. 182) da Revista Cultivar Máquinas (págs 38-40)http://www.grupocultivar.com.br/revistas/546

Revista Cultivar

 

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