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26.02.2018

Sucessão familiar: união é o segredo para a sobrevivência do agronegócio

Especialista viveu na prática desafios de substituir o pai, uma mente brilhante dentro da empresa

Reportagem Especial da distribuidora Safra Rica

Foto: Safra Rica
Sarita Rodas e sua mãe, Teresa: o desafio de suceder o pai
(Foto: Safra Rica)

Tema complexo e cada vez mais incomum no mundo dos agronegócios: é assim que os especialistas conceituam a sucessão familiar, um desafio a ser seguido pelos herdeiros de grandes negócios para conseguir se manterem vivos em um mundo cada vez mais globalizado.

A empresária e citricultora Sarita Junqueira Rodas, comanda hoje o grupo Junqueira Rodas, empresa para a qual seu pai, Fábio Rodas, dedicou toda a sua vida e chegou ao topo do agronegócio, mais precisamente da citricultura.

 

Para gerir o “legado de seu pai”, ela teve de enfrentar muitos desafios para manter o grupo focado e unido, dois ingredientes que ela considera como primordiais para sobreviver no competitivo mundo dos negócios.

 

“Infelizmente, quem é pequeno não sobrevive. Não sou eu quem digo isso. A maior conquista foi que conseguimos manter a união entre família e a equipe para sermos quem meu pai era,” afirmou em entrevista exclusiva à reportagem.

 

Sarita, além de presidente do Conselho do grupo Junqueira Rodas, é também membro do Conselho de Administração da Montecitrus, outra empresa de destaque no setor. Ela é a primeira mulher a ocupar essa posição.

 

Herança

 

Suceder o pai, para ela, foi um desafio muito grande. Fábio Rodas faleceu de maneira inesperada em agosto de 2008, quando ela iniciava, havia seis meses, um programa de trainee para acionistas da empresa. “Como acionista, você pode ser o que quiser. Mas um herdeiro tem de conhecer o cotidiano da empresa, o ambiente e se preparar,” afirma.

A sucessão familiar se tornou para ela não apenas uma necessidade – mas, sobretudo, um objeto de estudo que, com a experiência em campo vivida por ela desde o falecimento do pai, se tornou uma verdadeira paixão.

Com cursos feitos no Brasil, pela USP, e no exterior, pela Universidade de Harvard, ela se aprofundou na questão e promoveu uma transformação importante dentro da empresa, com uma comunicação mais dinâmica e transparente entre os sócios-proprietários.

Ela começará um novo desafio: levar o que sabe para famílias e herdeiros se prepararem para assumirem negócios de família e manterem o nível de competitividade elevado.

Revista Safra Rica: Como foi que surgiu a necessidade de se tornar uma gestora?

Sarita Junqueira Rodas: Meu pai faleceu em agosto de 2008. Assumi naquele ano, pois já fazia o trainee, um sistema que acreditamos muito. Desse modo, eu já fazia um treinamento para uma governança familiar. O acionista pode ser o que quiser na vida. Mas para ser herdeiro familiar, a pessoa precisa conhecer a realidade do empreendimento para decidir o que é melhor para a empresa.
Depois que assumi, fizemos um grupo gestor com a família e criamos um conselho de administração do qual sou presidente e também do Grupo Junqueira Rodas.

SR: Como a sucessão familiar se mostrou necessária?

SJR: Os desafios da vida fizeram com que a sucessão fizesse parte do dia a dia e mostraram a importância de me preparar. Desde o falecimento precoce do meu pai, que era o sócio fundador e gestor da empresa, único mandatário, sem ter preparado alguém da família para estar no lugar dele, venho trabalhando sucessão, me especializando nisso para ter as melhores práticas para serem aplicadas e termos melhores resultados, otimização da equipe tanto no ambiente corporativo quanto familiar.

SR: Você teve de lidar com algum tipo de pressão?

SJR: Acho que o grande desafio é realmente suceder grandes líderes. Quando sucedemos pessoas comuns os desafios são mais comuns: aprender o dia a dia da empresa, talvez isso fosse mais fácil, mas quando você sucede alguém brilhante as cobranças e os focos são maiores.

É preciso ficar atento a duas coisas: a primeira é se desvincular do brilhantismo e tentar mostrar as suas habilidades – e a maior de todas é mostrar para a equipe que você também é capaz. Ao longo do tempo fomos construindo todo esse processo de sucessão com a equipe, mostrando as suas habilidades, mostrando que você é capaz. Esse foi o maior sucesso que tivemos, ter conseguido isso junto com a equipe, com a passagem do meu pai.

Quando isso aconteceu, tínhamos a certeza que teríamos de nos unir muito para fazer acontecer – para ser quem ele era. Isso deu muito resultado, é o que a gente acredita e gostaria que as pessoas fizessem em seus negócios.

SR: E os desafios mais práticos de se comandar a empresa, por pertencer a uma nova geração, haver outro dinamismo?

SJR: As novas gerações têm muito a agregar, assim como as gerações antigas têm muito a ensinar. Infelizmente não convivi muito com meu pai no ambiente para pegar a experiência dele. Mas as novas gerações, apesar de contestadas, agregam valor. Trazemos dinamismo, comunicação assertiva, comunicação ágil e no nosso caso, que com o falecimento de meu pai passou a ter vários donos, agregou valores para empresa no sentido em que a comunicação entre os sócios se tornasse mais clara, transparente e proporcionou mais união até hoje e manterá unido por três, quatro gerações, se Deus quiser.

SR: Há diferenças em suceder um posto familiar daquele em uma empresa com a qual você não tem um vínculo tão íntimo?

SJR: Ser da família tem dois lados – um que levamos o emocional para a empresa, podendo ser ruim quando uma questão não vai bem e pelo emocional você ainda insiste. Mas há também o amor que você nutre porque desde criança ouviu seus pais falarem daquilo.

De saber que eles criaram aquele negócio – o comprometimento é maior sim – não digo que não exista no mundo corporativo comum. Mas o grande diferencial de uma empresa familiar é o compromisso com o legado de quem a criou, deu tudo de si para que fosse consolidada, que foi a empresa fundada pelo seu pai. Mas é claro que não podemos deixar a emoção nos fazer cometer erros que levem a empresa para baixo.

SR: Qual o maior desafio para o agronegócio diante da concorrência globalizada?

SJR: O grande desafio é manter a união para sobreviver nesse mundo globalizado, onde precisamos manter a escala. Costumo falar que trabalho para minha família, e somente para ela, e meu grande desafio é gerir a união familiar, a harmonia, para que continuemos juntos nos negócios. É o maior desafio: manter a união para ser grande, ganhar escala e se manter no negócio.

SR: Qual a perspectiva da citricultura?

SJR: Acredito na citricultura, sou apaixonada, nasci nela. Nasci e a Montecitrus foi fundada – a minha vida sempre foi falar de citros dentro de casa, um dos grandes desafios é se profissionalizar, ganhar escala, porque o negócio é altamente arriscado, de alto investimento e desafios sanitários muitos delicados, o que faz as margens serem apertadas e leva a citricultura para a escala. Só se mantém quem é organizado, é grande, mantém o controle fitossanitário, porque as doenças são muito devastadoras. Por mais que tenhamos esperanças, temos que trabalhar com as armas que temos e hoje a escala, o porte da fazenda e a expertise da agronomia técnica é fundamental para a sobrevivência.

Sarita Junqueira Rodas foi protagonista do 10o episódio da série “Ser Agro É Bom”, da Bayer. Confira o seu depoimento emocionante.

 

Sobre a Safra Rica

A Safra Rica é uma distribuidora autorizada Bayer da região noroeste do estado de São Paulo. A Safra Rica também participa do programa de pontos da Rede AgroServices. Produtores associados ao programa podem utilizar os seus pontos para adquirir uma grande variedade de serviços especialmente selecionados para promover o crescimento de seus negócios. Para mais informações, ligue para a Converse Bayer 0800 0115560 ou procure uma distribuidora autorizada Bayer.

 

Você pode sugerir pautas para a redação da Rede AgroServices. É só mandar um e-mail para falecomoeditor@imgcontent.com.br.