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19.01.2018

Conheça o greening, a pior doença da citricultura brasileira

Pesquisador do Fundecitrus fala sobre a doença que devasta os pomares brasileiros

Reportagem Especial da Safra Rica

Foto: Divulgação Fundecitrus
O pesquisador do Fundecitrus, Renato Bassanezi
 (Foto: Divulgação Fundecitrus)
Desde o início do século, quando foi descoberto, o greening (ou HLB) se transformou em um problema devastador para os pomares brasileiros. A doença é considerada a mais severa da citricultura, na atualidade, e demanda esforço e empenho do setor produtivo para tentar contê-la. Uma vez que as plantas são infectadas, não há mais cura e a possibilidade de expansão pelo pomar é muito grande.
 

A doença é transmitida pelo psilídeo Diaphorinacitri, pequeno inseto que mede entre dois e três milímetros e, quando suga a seiva da planta doente para se alimentar, serve como transmissor da bactéria que causa a doença.

O Fundo da Defesa da Citricultura (Fundecitrus) é um dos órgãos brasileiros pioneiros no combate à doença no país, realizando estudos fitossanitários e difundindo conhecimento para o combate ao greening. Em entrevista, o pesquisador Renato Beozzo Bassanezi alerta o produtor e explica qual o panorama atual da doença no país.

Revista Safra Rica: Em que estágio se encontra o greening no Brasil? Quais as regiões mais afetadas?

Renato Bassanezi: O greening foi relatado pela primeira vez no Brasil em 2004, no estado de São Paulo, e hoje se encontra em todas as regiões produtoras de citros do estado. Também se encontra nos estados de Minas Gerais e Paraná.

Em 2017, segundo levantamento amostral realizado pelo Fundecitrus, o parque citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais apresentam 16,73% das laranjeiras (cerca de 32 milhões de árvores) com sintomas da doença, sendo metade deste número com sintomas iniciais. No parque, as regiões mais afetadas são as regiões centrais (Limeira, Brotas, Porto Ferreira, Duartina e Matão), sendo as regiões do norte, noroeste e sudoeste as menos afetadas.

SR: Desde que a doença se proliferou pelos pomares, o país avançou em relação ao seu combate?

RB: Hoje, o estado de São Paulo tem sido referência mundial no controle dessa doença, baseado no uso de mudas sadias produzidas em viveiros telados desde 2003, controle intensivo do inseto vetor (o psilídeo Diaphorinacitri) e a eliminação das plantas doentes. O grande avanço no combate ao greening foi incluir o manejo regional do vetor e das plantas doentes, isto é, o controle conjunto e coordenado por parte de todos os produtores de uma determinada região, e também o controle externo à propriedade no programa de controle da doença. Observou-se que fazer todo o controle somente dentro da propriedade não evita totalmente o aparecimento de novas plantas contaminadas, e que se as ações de controle forem tomadas no entorno da propriedade (em propriedades comerciais e não comerciais, em plantas de quintais rurais e urbanos próximos das propriedades comerciais), a eficiência de controle é significativamente aumentada (manejo regional).

SR: Como tem sido o comportamento do setor produtivo diante da realidade?

RB: O setor produtivo está bastante preocupado com a doença, que nos últimos anos dizimou a produção de citros nos Estados Unidos, nosso principal concorrente na produção de laranja, e que também tem causado a saída de produtores do negócio. Porém, o sucesso no controle desta doença representa uma grande oportunidade para a citricultura brasileira se consolidar como líder e referência mundial.

Foto: Safra Rica
O psilídeo Diaphorinacitri, inseto vetor do greening (Foto: Safra Rica)
Entre os produtores, há três tipos de reações: aqueles que seguem com rigor as recomendações de controle da doença; aqueles que controlam o psilídeo, mas não erradicam as plantas doentes depois de determinada incidência da doença e idade das plantas; e aqueles que não realizam o controle. Estes dois últimos grupos têm uma visão mais de curto prazo, porque em poucos anos verão a queda de produção dos seus pomares e terão que iniciar tudo novamente com novos plantios.
 

SR: Quais as recomendações para os citricultores?

RB: Não existe uma única só medida de controle para a doença. É necessário um manejo integrado, usando várias medidas resumidas nos 10 mandamentos de controle do greening, que são: planejamento dos novos plantios, preparando-os para enfrentar a doença e minimizar seus danos; plantio de mudas sadias produzidas em viveiros telados e certificados; boas práticas culturais para acelerar o crescimento das plantas e sua entrada em produção; inspeção para detecção de plantas doentes e erradicação das plantas com sintomas da doença pelos menos 4 vezes ao ano; monitoramento do psilídeo com armadilhas adesivas amarelas na periferia da propriedade e controle rigoroso do inseto para não permitir que ele se alimente nas brotações novas e nem se reproduza.

SF: Como se deve realizar o controle do psilídeo?

RB: O controle do vetor inicia-se antes do plantio com a aplicação de inseticidas sistêmicos nas mudas, continua no campo com a aplicação de inseticidas sistêmicos 3 a 4 vezes ao ano no período das chuvas e aplicação de inseticidas foliares, alternando diferentes grupos químicos, de acordo com a captura de psilídeos e fluxo vegetativo.

Em pomares acima de 3 anos, somente se aplica inseticidas foliares. Maior atenção deve-se dar à faixa de borda dos pomares, que compreende os primeiros 100 a 200m a partir da divisa do pomar, onde se concentra a maior parte dos psilídeos e plantas doentes. Nesta faixa, a frequência de pulverizações deve ser maior; participar do manejo regional do psilídeo por meio de pulverizações conjuntas e coordenadas indicadas pelo Alerta Fitossanitário do Fundecitrus e da eliminação regional de plantas doentes; parceria com os vizinhos para as aplicações de inseticidas em plantas de citros de pomares comerciais e não comerciais, eliminação de plantas doentes ao redor da propriedade ou liberação de Tamarixiaradiata em pomares e plantas não comerciais que não recebem o controle recomendado. Produtores que têm seguido estas recomendações têm conseguido manter a incidência anual da doença abaixo de 2%.

SF: Quais transformações a doença provocou no manejo da citricultura?

RB: Com um risco maior, o citricultor teve que ser cada vez mais informado, tecnificado e profissional. Ele tem não apenas que controlar a doença dentro do seu pomar, mas também agir em parceria com seus vizinhos, o que exige uma mudança de comportamento. Os novos pomares passaram a ser melhor planejados e os projetos de plantios reduziram sua longevidade (hoje não se fala mais em um pomar durar 30 ou 40 anos, já se fala em projetos para 12 ou 15 anos). Com isso, tem se buscado cada vez mais acelerar e aumentar a produtividade dos pomares com uso de adubação, irrigação, adensamento e melhores combinações de copa e porta-enxerto. Aumentou-se a frequência de aplicações de inseticidas, porém com melhor tecnologia de aplicação e doses adequadas de produtos.

SF: Quais os impactos financeiros para os produtores?

RB: O maior impacto do greening é a perda de plantas e de produtividade, além da redução da vida econômica dos pomares afetados. Somente no estado de São Paulo, estima-se que, de 2005 a 2016, mais de 46 milhões de laranjeiras tenham sido erradicadas por causa da doença.

O segundo impacto financeiro é o aumento dos custos de produção para se controlar a doença com as operações de inspeção de plantas e erradicação de plantas doentes, monitoramento da população do psilídeo e aplicação de inseticidas para seu controle. Estima-se que o custo de produção tenha aumentado de 5% a 15%.

SF: O país está preparado para lidar com o greening?

RB: Os citricultores do parque citrícola de São Paulo e sul do Triângulo Mineiro contam com instituições de pesquisa e transferência de tecnologia como o Fundecitrus para apoiar e dirigir os citricultores para o manejo adequado da doença, tanto dentro como fora do pomar. Todo conhecimento gerado pela pesquisa nacional e internacional para o manejo do greening é imediatamente transmitido aos citricultores do cinturão citrícola paulista e mineiro e também de outros estados.

Alerta fitossanitário

O Fundecitrus também disponibilizou uma ferramenta online para que o citricultor monitore a população de psilídeo perto de seu pomar. Por meio do link http://www.fundecitrus.com.br/alerta-fitossanitario, o produtor pode ter acesso ao instrumento que verifica a presença da praga em mais de 138 mil hectares de citros, por meio de 18 mil armadilhas georreferenciadas e serve de base para o manejo regional do HLB. A modernização do sistema teve como base sugestões de citricultores que participam de grupos de manejo regional. Uma das novidades é que o programa passa a ser disponível na versão mobile para smartphones e tablets, facilitando o gerenciamento das informações pelo produtor.

Sobre a Safra Rica

A Safra Rica é uma distribuidora autorizada Bayer da região noroeste do estado de São Paulo. A Safra Rica também participa do programa de pontos da Rede AgroServices. Produtores associados ao programa podem utilizar os seus pontos para adquirir uma grande variedade de serviços especialmente selecionados para promover o crescimento dos seus negócios. Para mais informações, ligue para a Converse Bayer 0800 0115560 ou procure uma distribuidora autorizada Bayer.

 

 

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