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13.11.2017

Digital Agro mostra a agricultura do futuro

Feira de tecnologia agro atrai as novas gerações; Patrulha Percevejo da Bayer é sucesso de público

Crédito: Frank Edwin Duurvoort – Rede AgroServices

Demonstração pratica de realidade virtual na Digital Agro
Demonstração pratica de realidade virtual na Digital Agro (Foto: Rodrigo Covolan/Frísia)
Os avanços tecnológicos estão impulsionando ganhos de produtividade e rentabilidade no agronegócio brasileiro. No entanto, é difícil para o produtor acompanhar todas as transformações em curso e os impactos que elas geram para o seu negócio. Por essa razão, a Frísia Cooperativa Agroindustrial realizou, em setembro, a primeira edição da feira Digital Agro, o primeiro evento dedicado exclusivamente à tecnologia agro do Brasil. Sediada no município de Carambeí, Paraná, a Digital Agro contou com a participação de 25 empresas ligadas à tecnologia agrícola. Realidade virtual aplicada à suinicultura, drones pulverizadores e de monitoramento de plantas daninhas, ordenhadeira robótica e até um protótipo de trator movido a biometano foram algumas das novidades em destaque.
 

Além disso, o evento também ofereceu quatro painéis com especialistas de renome que falaram sobre ferramentas de gestão digital, automação e robótica no campo, sensoriamento e monitoramento de pragas e plantas daninhas e o horizonte tecnológico da agricultura brasileira.

Inspirada no Vale do Silício

A Digital Agro não é a primeira incursão da Frísia ao mundo dos eventos. A cooperativa há mais de uma década realiza a ExpoFrísia, uma grande feira voltada para a pecuária leiteira e a suinicultura.

A cooperativa buscava expandir suas atividades nessa área, mas não queria realizar mais um evento de perfil tipicamente agropecuário, explica Emerson Moura, superintendente da Frísia. Ele havia voltado recentemente de uma viagem ao chamado “Vale do Silício”, região que concentra muitas empresas de alta tecnologia no estado da Califórnia, EUA, quando a diretoria da cooperativa lhe chamou para conversar sobre um novo evento. Ele, inspirado no que havia visto nessa viagem ao Vale, sugeriu realizar uma feira de tecnologia de ponta aplicada ao agronegócio.

“Acho que esse é um tema que vai atrair muita gente,” disse Moura, “gente que nem é do setor agrícola. Uma startup que tá lá no meio da cidade e que quer desenvolver alguma coisa. O público urbano, essa é a nossa grande dificuldade: chamar a atenção do público urbano para a importância que a agricultura tem. Esse pode ser o momento de aproximar a cidade do campo”. A diretoria comprou a ideia e assim nasceu a Digital Agro.

A tecnologia da sucessão

A questão sucessória também favoreceu a escolha de um tema ligado à tecnologia para o novo evento da Frísia. “Uma preocupação nossa é que um evento como esse possa ajudar nosso cooperado a reter o seu descendente na propriedade. Nós sabemos que essa geração, de 15, 20, 25 anos, é uma geração que aceita bem e que está muito voltada para a tecnologia. Ela é muito diferente de seus pais e avós, que subiam no trator e punham a mão na massa. Essa geração não quer por a mão na massa. Eles querem fazer uma gestão da propriedade. Eles querem uma tecnologia que possa diminuir o esforço do trabalho agrícola. Então, esse é um dos objetivos pelo qual empregamos tecnologia aqui na cooperativa: pra tentar reter ou até trazer de volta aquele que já saiu de casa pra fazer uma faculdade na cidade. A gente vem conseguindo isso. Pra sucessão familiar, eu acredito – e a cooperativa acredita – que esse evento pode ser um grande diferencial.”

A Frísia oferece diversas ferramentas de gestão e capacitação das propriedades para que seus cooperados possam aprimorar os seus negócios. São recursos bastante apreciados pela nova geração de produtores. “A gente tem um curso de capacitação de gestão em propriedades leiteiras, em parceria com a Esalq/USP, onde temos indicadores, processos de melhorias, 5S [processo industrial moderno] na propriedade – coisa que ninguém faz – e a maior parte dos alunos nesses cursos são os jovens. São filhos e netos de cooperados que estão começando a assumir as propriedades. Então, a Digital Agro vem a somar com esse esforço nosso,” explica Moura.

O futuro da Digital Agro parece bastante promissor. Para o ano que vem, a Frísia pretende aumentar a presença de equipamentos de alta tecnologia na feira, e expandir o escopo do evento para incluir empresas e iniciativas associadas ao setor florestal, conservação ambiental e energia renovável. A cooperativa gostou da experiência. “Nós vamos ampliar a área da Digital Agro em 60-70%. Nós vamos construir um novo pavilhão. Várias empresas que não participaram querem participar. Então, não tem jeito. Vamos ter que ampliar,” promete Moura.

Bayer faz sucesso com Patrulha Percevejo

A Patrulha Percevejo, foco principal da presença Bayer na Digital Agro, atraiu público e bons negócios ao estande da empresa. É um serviço de monitoramento oferece combate eficaz contra uma das pragas mais danosas ao cultivo da soja. Fausto Zanin, gerente de clientes da Bayer, explica que o serviço está apenas na sua segunda safra e “já é um sucesso porque atende a um gargalo do mercado, que é o combate a uma praga silenciosa, que gera um prejuízo que o produtor só vai perceber na hora da colheita.”

Fausto Zanin, gerente de clientes da Bayer
Fausto Zanin, gerente de clientes da Bayer
(Foto: Divulgação/Bayer)
O percevejo é uma praga que gera grandes perdas porque é uma praga difícil de detectar em tempo de se evitar maiores danos ao cultivo. O produtor só percebe que tem uma infestação quando a população de percevejos já é grande e seu prejuízo é fato consumado, conta Zanin. O problema é que o monitoramento é um trabalho demorado, que exige mão de obra especializada e precisa ser feito sistematicamente.
 

O trabalho da Patrulha Percevejo começa com um mapeamento de satélite do talhão a ser monitorado, que antecede a visita da equipe técnica à propriedade. A presença da praga é detectada através do uso do pano de batida, um tecido branco de um metro de cumprimento e 60 cm de largura, que é colocado debaixo das plantas, que são agitadas. O técnico da Patrulha Percevejo vai registrando a quantidade e tipos de pragas existentes, e cada ponto onde pragas foram detectadas em diferentes áreas da propriedade. Com essas informações, o aplicativo da Patrulha Percevejo gera um mapa de calor, que é a ferramenta pela qual o produtor faz o combate a praga com precisão. “O monitoramento ocorre 25 a 30 dias depois da soja emergida, onde é feito um mapeamento de calor em tempo real, que vai mostrar onde está a praga, em qual área ela está presente e em qual intensidade,” explica Mario Rissi, gerente regional de vendas da Bayer.

Na região de Ponta Grossa, Paraná, a Patrulha Percevejo já foi contratada para monitorar mais de 60 mil hectares. “No Digital Agro, o serviço chamou tanta atenção, que já fomos contratados para atender 12 mil ha,” celebra Rissi.

O Patrulha Percevejo é serviço exclusivo disponível para produtores cadastrados no programa de pontos da Rede AgroServices.

 

 

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