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29.10.2017

Cultivo irrigado avança no país

A tecnologia aumenta a produtividade agrícola, mas ainda é pouco explorada.

Frank Edwin Duurvoort – Rede AgroServices

Cultivo irrigado avança no país
(Foto: Alf Ribeiro/Shutterstock)
 A maioria dos agricultores brasileiros ainda desconhecem os ganhos que a irrigação pode render. Apesar da maior produtividade que a tecnologia oferece, no Brasil só cerca de 10% da área agrícola é irrigada. A tecnologia ainda é pouco explorada principalmente em função de problemas com disponibilidade energética, outorgas e licenciamento ambiental, afirma o agrônomo Luis Pedro Saccol Fros, gerente de operações da gaúcha Sistema Irriga, empresa cadastrada no programa de pontos da Rede AgroServices. Com um sistema adequado de irrigação, é possível aumentar entre 30% e 50% a produtividade de uma lavoura, diz o agrônomo.

A Agência Nacional de Águas (ANA) calcula que o Brasil possui uma área de 66 milhões de hectares de terras agricultáveis apropriadas para a irrigação. No entanto, dessas apenas 6,95 milhões de hectares são irrigados. Dada a redução de perdas por risco climático e a maior oferta de alimentos obtidos pelo uso da irrigação, a baixa adesão à tecnologia é um cenário que o governo federal quer mudar.

Expansão em curso

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou em maio de 2016 o Plano para Expansão, Aprimoramento e Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Irrigada no Brasil. O projeto tem como meta aumentar a área irrigada do país para 11,2 milhões de hectares até 2026.

Segundo o MAPA, o plano visa promover o uso racional da água, minimizar perdas agrícolas por causa de problemas climáticos, aumentar a produtividade de 3,4 para 4 toneladas por hectare e gerar até 7,5 milhões de empregos diretos e indiretos. Nos próximos 25 anos, 80% dos alimentos necessários à sustentação de vida humana virão de cultivos irrigados, afirma um estudo da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.

Do ponto de vista ambiental, o projeto busca diminuir a pressão sobre a abertura de novas áreas de cultivo e incentivar investimentos em tecnologias que tornem a produção agrícola mais sustentável. Além de mais produtivo, o cultivo irrigado é menos suscetível à secas e variações climáticas, fator que diminui a volatilidade de preços alimentícios e aumenta a segurança alimentar do país.

O Plano Agrícola e Pecuário de 2017/2018 prevê verba de R$ 600 milhões para o Programa Moderinfra, de incentivo à irrigação, com financiamento pelo Banco do Brasil a juros de 7,5% ao ano, prazo de pagamento de 10 anos e limite financiável de R$ 2,2 milhões para empreendimentos individuais e R$ 6,6 milhões para empresas.

Luis Pedro Saccol Fros
O agrônomo Luis Pedro Saccol Fros, gerente de operações da empresa Sistema Irriga, de Santa Maria, RS (Foto: Divulgação/Sistema Irriga)

Irrigação é uma tecnologia acessível a pequenos e médios produtores. Com os ganhos significativos em produtividade que a irrigação proporciona, o agricultor paga o financiamento em dois ou três anos, afirma o agrônomo do Sistema Irriga. “Mas de nada adianta colocar um sistema de irrigação sem saber fazer o uso correto do mesmo,” diz ele. O irrigante precisa fazer um manejo adequado da tecnologia e utilizar um sistema capaz de executar um monitoramento preciso da lavoura. Só assim o produtor vai saber o momento e a quantidade exata de água que deve ser aplicada.

Como fazer

As principais culturas irrigadas no país atualmente são cana-de-açúcar (com aproximadamente 30% de toda área irrigada), arroz (20%), soja (10%), milho (10%) e feijão (5%). “O principal sistema de irrigação utilizado atualmente é o pivô central, onde o custo benefício é um dos mais vantajosos para culturas extensivas como soja, milho e cana,” explica Fros. Há também os sistemas de irrigação por aspersão convencional, gotejamento (superficial e subterrâneo) e auto-propelidos.

O primeiro passo é avaliar a disponibilidade de água para irrigação. O produtor também precisa considerar distância entre a fonte d’água e a área a ser irrigada. Além disso, o produtor também precisa levar em conta a disponibilidade de energia elétrica para mover as bombas, a topografia da área irrigada e as culturas a serem irrigadas, entre outros fatores, para ter uma boa estimativa de custos.

É necessário também obter autorização legal para o empreendimento. Para fazer uso de recursos hídricos provenientes de rios, lagos e reservatórios públicos, o irrigante precisa obter outorga das entidades estaduais responsáveis pelo abastecimento d’água e eventualmente a ANA, caso a fonte for um rio pertencente a uma bacia interestadual. Além disso, sistemas de irrigação precisam ter licenciamento ambiental.

A irrigação no Brasil cresce, em média, entre 4,4% e 7,3% ao ano desde a década de 1960, segundo dados da ANA e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Com o aumento do preço da terra nos últimos anos, é cada vez mais vantajoso colocar um sistema de irrigação nas áreas de sequeiro,” afirma o agrônomo. “Estimamos que nos próximos anos serão adicionadas anualmente entre 300 e 400 mil hectares de novas áreas irrigadas, em todos as regiões do Brasil.”

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