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25.10.2017

Cana: cultivo mínimo gera resultados superiores

Especialista no cultivo aponta ganhos e desafios com a técnica

Frank Edwin Duurvoort – Rede AgroServices

Cana: cultivo mínimo gera resultados superiores
(Foto: Andre Nery/Shutterstock)
 A técnica do cultivo mínimo vem ganhando mais adeptos entre produtores de cana-de-açúcar. Como o próprio nome indica, no cultivo mínimo, (ou preparo reduzido), há uma redução no volume de operações de preparo de solo para o plantio e a preservação de resíduos vegetais. A prática conservacionista é mais sustentável e tem menores custos que o cultivo convencional, gerando menos erosão, economia com óleo diesel dado o menor uso de máquinas e implementos, e redução de emissões de CO2.

Com a adoção do cultivo mínimo, há menor trabalho de revolvimento do solo. O solo é revolvido apenas pela operação de subsolagem. Não há movimentação de máquinas e equipamentos e, por isso, não há compactação. A prática pode envolver operações de sistematização do terreno, distribuição de corretivos na superfície, subsolagem e destruição química de restos de cultura e plantas daninhas.

No preparo reduzido de solo para o plantio da cana-de-açúcar, a palhada que sobra da safra anterior não é removida e assim oferece maior proteção ao solo, que retém mais umidade. Isso irá contribuir na conservação do mesmo contra a erosão fluvial, a grande responsável pelo assoreamento dos rios nas regiões canavieiras. A perda de solo para outras culturas neste sistema chega a 20 toneladas por hectare ao ano, contra 50 toneladas por ha/ano no plantio convencional.

Economia significativa

“Quando optamos pela prática do preparo reduzido do solo no plantio de cana-de-açúcar, buscamos a redução de custo por hectare preparado, na ordem de 20 a 25%,” afirma Antonio Luiz Gazon engenheiro agrimensor especialista em cana-de-açúcar e consultor cadastrado no programa de pontos da Rede AgroServices.

O importante nesse processo é a redução de operações agrícolas na área, explica Gazon. “Recomendamos apenas a sistematização do solo, que consiste em substituir os terraços embutidos e ou invertidos pelos terraços de base larga, pois assim conseguiremos atravessá-los com os equipamentos que irão trabalhar no local, em operações subsequentes.”

“Para isso, implantamos os terraços de base larga com espaçamento vertical de 3 metros, e a subsolagem total desse solo com a profundidade de 0,40m e espaçamento de 0,40m entre as hastes, a fim de contribuir para o armazenamento das águas das chuvas no solo, visto que não temos como prática realizar irrigação plena em nossos canaviais. Com isso, estamos armazenando um maior volume de água para a cultura,” explica o especialista.

Desafios e produtividade

Os principais desafios para a implantação desse sistema são a quebra de paradigmas das pessoas e o alto nível de atenção e acompanhamento constante que o processo exige, diz Gazon. A adoção da técnica do cultivo mínimo requer investimentos em treinamento em pessoal e um esforço de conscientização de todos os colaboradores da propriedade em busca de melhores resultados.

Tais mudanças têm afastado alguns produtores da técnica, embora o mesmo não demande nenhum investimento inicial em maquinário, apenas de alguns ajustes de subsoladores, sulcadores, terraceadores.

Com a sistematização, conservação e plantio nesse sistema, as colhedoras de cana produzem mais durante a colheita. Gazon registra casos em propriedades que adotaram a prática e atingiram índices de produção diária de 900 ton/dia por colhedora.

“É grande o número que usinas e fornecedores que mudaram seu manejo para o preparo reduzido de solo, e estão muito satisfeitos com os resultados, pois houve uma redução considerável em seu parque de equipamentos, principalmente a redução de grades e também do número de colhedoras em função do aumento de rendimento nessa operação”, Gazon afirma. “O importante é um bom planejamento, um bom mapeamento e projeto de plantio, para que seja adequado a altos rendimentos operacionais, com isso é certo uma redução de custos no processo global.”

Sobre o Programa de Pontos Rede AgroServices

Especialista em cana-de-açúcar, o engenheiro agrimensor Antonio Luiz Gazon é consultor cadastrado no programa de pontos da Rede AgroServices. Produtores associados ao programa de pontos podem utilizar os seus pontos para adquirir serviços especialmente selecionados para promover o crescimento de seus negócios.

 

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