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13.09.2017

O poder jovem assume o comando do agronegócio

Um em cada três produtores tem menos de 40 anos revela pesquisa nacional de grande envergadura

Frank Duurvoort – Rede AgroServices

Foto: HQuality/Shutterstock
(Foto: HQuality/Shutterstock)
As mulheres e os jovens produtores rurais têm presença cada vez mais impactante na evolução e futuro do agronegócio brasileiro. É o que diz a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) em sua 7ª Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, lançada no final de maio passado.
 

O levantamento da ABMRA é a maior pesquisa do gênero, com 212 perguntas e 2.835 entrevistas presenciais com agricultores e pecuaristas no comando de propriedades de pequeno, médio e grande porte, a grande maioria dos quais proprietários com dedicação exclusiva à atividade agropecuária. Os entrevistados estão distribuídos por 15 estados em todas as regiões do país e entre os 11 maiores cultivos e 4 principais criações do agronegócio nacional. O estudo, que a associação realiza há 32 anos, traça um perfil dos produtores rurais e oferece informações sobre seus hábitos de compra, interesses, uso de novas tecnologias e canais de mídia preferidos.

Mais jovem e mais feminino

A idade média dos produtores rurais é de 46,5 anos, diz a pesquisa: 3,1% mais jovem que a média de 48 anos apurada no estudo anterior, realizado em 2013. Além disso, 32% das pessoas em cargos de decisão nas propriedades rurais têm entre 26 e 40 anos, contra apenas 25% no levantamento anterior, o que indica que uma nova geração está assumindo o poder no agronegócio brasileiro.

A pesquisa da ABMRA também revelou que triplicou presença feminina em cargos de gerenciamento nas propriedades, saltando de 10% para 31% em apenas quatro anos, uma evolução impressionante. Mas o dado mais surpreendente revela uma mudança de mentalidade: 81% dos entrevistados consideram a participação da mulher “vital” ou “muito importante” no gerenciamento de seus negócios. Porém, apenas 4% das propriedades são comandadas por mulheres.

O levantamento também mostra que 18% dos gestores de empreendimentos rurais têm curso superior. Quando incluído os entrevistados que têm nível superior incompleto ou curso técnico, o percentual sobe para 32%. Dentre os graduados, o curso de agronomia ocupa a preferência, com 42% do total, seguido por veterinária (9%) e administração de empresas (7%). A educação continua sendo um dos maiores desafios da agricultura brasileira, já que 31% dos produtores não completou sequer o ensino fundamental.

Mais antenados e digitais

A televisão aberta e o rádio continuam sendo os grandes canais de informação e entretenimento do produtor rural brasileiro. No entanto, a internet já faz parte do dia a dia de 42% dos entrevistados. A maioria dos entrevistados acessa redes sociais pelo menos 1 vez ao dia, de preferência via smartphone, à noite, principalmente, ou de manhã. Mais de um terço acessa a internet mais de 4 vezes por dia. A maioria dos entrevistados obtém informações agrícolas pela TV ou internet, com cerca de 60% de preferência para cada canal.

Segundo o levantamento da ABMRA, hoje 96% dos produtores tem celular, contra apenas 70% em 2013, um aumento de mais de 50% em apenas quatro anos. Os smartphones ganham rapidamente a preferência dos homens do campo: 61% deles já possui um, contra apenas 19% em 2013. Esse tipo de aparelho móvel é o meio mais utilizado pelos produtores para acessar a internet.

A maioria dos proprietários de smartphones utiliza o aparelho para acessar aplicativos de mensagem instantânea, navegar na internet, consultar serviços de meteorologia ou entrar no Facebook. Com 96% de utilização, o WhatsApp é o aplicativo preferido entre os usuários de smartphone, seguido pelo Facebook (67%), YouTube (24%) e Messenger (20%). Internet e smartphones são inovações recentes na vida dos produtores e, por isso, ainda estão em processo de assimilação no campo. Ambas as tecnologias são consideradas “essenciais” por apenas um terço dos entrevistados.

Apenas um em cada quatro produtores tem TV por assinatura e o consumo de mídia impressa está em forte queda, especialmente jornais.

Um produtor otimista em busca de conhecimento

A Pesquisa ABMRA também apontou que tanto os agricultores quanto os pecuaristas valorizam iniciativas que oferecem informações técnicas relevantes aos produtores. Os dias de campo (54%), as feiras agropecuárias (22%) e as palestras técnicas (16%) são os eventos preferidos entre os agricultores. Os pecuaristas também demonstram interesse pelos dias de campo, com 36% de preferência, seguidos pelos leilões de bovinos (19%), as feiras pecuárias (18%) e as palestras técnicas (17%).

A pesquisa mostrou que tanto agricultores quanto criadores buscam eventos para conhecer e possivelmente adquirir novas tecnologias para aumentar a produtividade de seus negócios. Os agricultores entrevistados demonstraram maior interesse e uso de tecnologias ligadas à adubação (95%), pulverização (82%) e controle de pragas (80%).

Já os pecuaristas preferem investir em adubação de pastagens (57%), rotação de pastos (52%), controle de enfermidades (36%) e cercas elétricas (35%). Suas maiores preocupações são a saúde (41%) e nutrição animal (18%), a gestão das propriedades (13%) e oferta de mão-de-obra (9%).

Nove em cada dez entrevistados têm orgulho em ser produtor rural e mais de dois terços é otimista em relação ao futuro do agronegócio. No entanto, a maioria acha que são incompreendidos pela população, que desconhece a realidade do campo. As campanhas de valorização do produtor que os entrevistados mais lembraram são o “Agro é Tudo”, da Rede Globo, com 29%, e “Ser Agro é Bom”, da Bayer, com 17%.

Para saber mais sobre a 7ª Pesquisa Hábitos do Produtor Rural da ABMRA, clique aqui.

 

 

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