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29.09.2017

A busca pelo café perfeito

Conheça o Luiz Café, uma xícara de excelência das fazendas do Cerrado Mineiro

Frank Edwin Duurvoort – REDE AGROSERVICES 

Marcos, Carlos e Renata Araujo, no Luiz Café Conceito
Carlos, Renata e Marcos Araujo, no Luiz Café Conceito (Foto: Alan Moreira)
O café é um paradoxo na vida de Renata Araújo. A proprietária do Luiz Café Conceito cresceu entre os cafezais da fazenda do avô, Manuel Velloso, um pioneiro do cultivo na região do Cerrado Mineiro. Com muita devoção e talento, seus tios e primos levam adiante a tradição cafeeira, que já tem quatro gerações: os cafés especiais que produzem têm apreciadores no mundo inteiro. Mas enquanto o cultivo é o centro da história da família, a relação dela com o café não é exatamente um caso de amor a primeira vista.
 

Renata nunca abriu mão do sonho de ter o seu próprio negócio. Sempre imaginou trabalhar com alimentos e ter um lugar aconchegante onde poderia oferecer um pão de queijo, um bolo e quitutes da chamada “comida de roça”, como ela diz.

É uma vontade com memórias de infância. A mãe, uma cozinheira de mão cheia, tem uma coleção de receitas “dá época da fazenda, herdadas da minha avó”. O pai, o Luiz que dá nome ao estabelecimento, era um médico com forte espírito empreendedor. Seus pais eram comerciantes e até chegaram a ter uma fábrica de pão de queijo, ela conta. Tal qual o café, o empreendedorismo está no seu DNA.

No entanto, por contingências da vida, passou-se muito tempo até seu projeto virar realidade. Renata havia se casado e tinha filhos para criar. Psicóloga por formação, foi trabalhar em uma empresa de Goiânia que desenvolve cursos e eventos para lideranças empresariais.

Um sonho adiado

Mas passados sete anos, ela percebeu que era o momento para retomar aquele seu sonho antigo. Chamou os filhos para uma conversa, falou do seu projeto e perguntou a eles se tinham interesse em participar. Carlos e Marcos embarcaram na viagem e o Luiz Café começa a tomar forma.

Não havia dúvida sobre como dar início ao projeto. Como tinham pouca informação e nenhuma experiência no ramo, trataram de ir às aulas. Carlos passou a frequentar cursos de barista. Marcos fazia um curso no exterior e no começo só participava do projeto via internet. Renata havia frequentado muitos cursos de gestão quando trabalhava com educação corporativa. Por isso, ficou com a parte administrativa.

Mas ela precisava entender mais sobre a razão de ser do seu projeto: o café. Não precisou ir longe para ouvir alguns bons conselhos. Bastou voltar às origens, à Minas, onde dos tios, Marcus Heitor e Fausto, são veteranos produtores de premiados cafés especiais. Ela conta a eles sobre o seu novo projeto e de sua vontade de aprender. “Eu gostaria de voltar à fazenda com outro olhar,” explica. “Não o olhar de quem passa as férias na fazenda do avô, mas o olhar de quem quer aprender todo o processo do café.” Seu projeto é bem recebido pela família. Ali, entre primos e tios, Renata encontra o seu programa de trainee.

A descoberta do algo a mais

Renata passa a frequentar as fazendas da família e a circular pelos bastidores da produção de cafés especiais. Uma preocupação sua ainda não resolvida era encontrar um diferencial para o futuro estabelecimento. Enquanto ouvia e aprendia com os cafeicultores, estava sempre de olho no que podia ser aquele algo a mais.

Salão da cafeteria Dulcerrado. Foto: Divulgação/Expocaccer
Salão da cafeteria Dulcerrado
(Foto: Divulgação/Expocaccer)
As propriedades da família ficam relativamente próximas à cidade de Patrocínio. Lá fica a Expocaccer, uma das principais cooperativas de café da região do Cerrado Mineiro. Os tios são associados da cooperativa e levam a Renata para conhecer a Dulcerrado, uma elegante cafeteria experimental que a Expocaccer montou para receber seus inúmeros compradores estrangeiros.
 

A Dulcerrado tem café espresso como qualquer boa cafeteria, mas o que chama atenção são os seus processos hi-tech para fazer café coado. Fazendo jus ao seu papel de vitrine, a cafeteria tem diversos processos de extração para captar o que há de melhor em cada blend e grão que oferece. Kono, Chemex, Aeropress... Renata se encanta com esses processos todos: havia encontrado o diferencial que tanto procurava. O Luiz Café teria “essa pegada tecnológica: um café coado tecnicamente correto”, ela decide.

“Ralo e frio”

Durante a infância, Renata não bebia café porque sua mãe não deixava. Cresceu sem tomar café, apesar de toda a história da família. Sua relação com a bebida era de total desinteresse até então.

Se tivesse ido a outro lugar, com outras pessoas e com outro projeto na cabeça, talvez até conseguisse manter-se indiferente à bebida. Na Dulcerrado, não. Na hora em que o barista vai à mesa, “com balança, termômetro, cronômetro, aquele equipamento bonito e toda aquela técnica”, Renata, impactada visualmente com o espetáculo, sucumbe à pressão dos demais presentes, e encara, enfim, o seu primeiro cafezinho.

Olhando para dentro daquela caneca de 200 ml, a sua primeira impressão era que ali havia uma bebida “rala e fria”. Estava habituada a ver aquele cafezinho padrão das casas e da rua: um líquido de cor escura, sabor marcante e quente a ponto de queimar a língua. Então, a expectativa dela era algo nessa linha: uma bebida forte e amarga que provoca até caretas em alguns. Um suplício. Porém, o que estava dentro da xícara era bem diferente.

O café especial coado, como aquele da Renata, tem um visual bem diferente do cafezinho caseiro e do espresso. Para não se perder as sutilezas de seu paladar, a torra do grão é menos intensa. Por isso, a sua aparência não é a de uma bebida de cor preta e opaca, como um cafezinho comum. O café especial coado é mais claro e tem um coloração caramelada e ligeiramente translúcida.

Além disso, o café especial é preparado com água a uma temperatura um pouco abaixo do ponto de fervura, também para preservar o sabor da bebida e a língua de quem vai degustá-la. Por conta de tais fatores, a expectativa da Renata não se realiza. Foi só provar para descobrir que o conteúdo da caneca não era aguado, nem amargo, nem forte e agressivo. O que havia ali era uma infusão de sabor delicado, nuançado e pleno, que não carecia de açúcar ou leite. Tampouco estava frio, mas na temperatura exata. Renata se surpreendeu com a bebida e adorou a experiência.

Café com consultoria

Carlos Araujo, barista do Luiz Café, no cafezal do tio Marcus Heitor
Carlos Araújo, barista do Luiz Café, no cafezal do tio Marcus Heitor (Foto: Murilo Gharrber)
Como muita gente não tem familiaridade com cafés especiais, a casa precisa estar atenta para não frustrar expectativas. Para quem gosta de café forte, alguns cafés especiais de coloração mais leve e paladar mais delicado podem parecer “chafé” para os desacostumados. Cada grão tem suas próprias características e cada método de extração ressalta alguma característica do seu sabor. Então, antes de anotar os pedidos o barista procura conversar com seus fregueses para entender um pouco do seu gosto. Combinar grão e processo de extração com o perfil de consumo do freguês é um talento que requer expertise e jogo de cintura.
 

Esse casamento entre o grão, o processo e consumidor precisa ser tratado com delicadeza porque café é a quintessência do comfort food brasileiro. O cultivo evoca muitas memórias afetivas nas pessoas. “Eu fico no café o dia inteiro. E por ser psicóloga, tenho um certo olhar para esse lado afetivo das pessoas. É impressionante a relação que as pessoas têm com o café. O café, na fala das pessoas, sempre remonta à infância. ‘Ah, porque minha avó fazia assim. Aqui tem um bule igual ao da casa da minha tia... É muito interessante o valor afetivo que o café tem”.

Não por acaso, o Café Luiz adota um estilo bem doméstico. Tem retrato na parede, bolo da mãe e piano pra tocar. O local foi concebido não só para servir café, mas também para abrigar carências e lembranças. “A gente junta o lado conceitual, de seguir as normas técnicas, com esse toque caseiro, bem intimista.” Memória afetiva com foco empresarial, o projeto da Renata fez uma releitura dessa paixão de família pelo café, com visão, carinho e criatividade.

Conheça o Made in Farm

A plataforma Made in Farm é um canal de compras online que oferece cafés de diferentes variedades, torras e origens. O Made in Farm é a mais recente iniciativa da Rede AgroServices, conectando produtores, compradores e consumidores de café em uma experiência interativa para agregar valor e gerar novos relacionamentos.

Saiba mais em www.madeinfarm.com.br

 

 

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