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16.08.2017

Turismo agro atrai produtores para experiências internacionais

Agência de turismo AgroBravo leva produtores ao mundo da inovação no campo

Frank Duurvoort – Rede AgroServices

Londres, destino da última turnê da AgroBravo
Londres, destino da última turnê da AgroBravo
(Foto: Zoltan Gabor/Shutterstock)
O setor de agroturismo pode ter “turismo” no nome, mas quem viaja com Júlio Bravo também sai pelo mundo para aprender. Sua agência de viagens organiza roteiros pelos principais eventos agro e escolas de agronomia do Brasil e do mundo. Com apenas cinco anos de vida, a AgroBravo já levou mais de 2 mil clientes para 30 países e diversas regiões do Brasil.
 

As viagens costumam ser experiências impactantes na vida dos participantes. O produtor gaúcho Aloísio Rauber resolveu visitar a Europa pela primeira vez na companhia do seu filho Breno, de 15 anos. Eles e outros 20 participantes realizaram o Tour Cereais Werlang Europa 2017, com visitas técnicas e turísticas no Reino Unido e Alemanha. “Gostei muito, fiquei feliz por poder levar meu filho. Lá, o produtor trabalha com total excelência, e nós, na nossa região, não estamos tão preocupados em ser excelentes. Este é o principal aprendizado que eu levo para mim e para o meu filho, nós temos que ter excelência na nossa atividade”, diz Rauber, impressionado.

Bravo conta que ao conhecer um outro país, com uma agricultura diferente da nossa, os produtores logo percebem que os desafios que os agricultores de lá enfrentam, por serem diferentes, exigem abordagens também diferenciadas. Na medida em que os produtores viajantes observam como esses desafios estão sendo superados, eles trazem de volta uma nova maneira de perceber o seu negócio e, às vezes, algum aprendizado que pode ser aplicado nas suas próprias lavouras.

“Foi uma pós-graduação para mim”

Entre várias visitas técnicas em ambos os países, os Rauber puderam conhecer a sede mundial da divisão Crop Science da Bayer, na Alemanha. Lá, o grupo foi apresentado ao processo de fabricação dos diversos tipos de defensivos e também à impressionante “biblioteca de substâncias” da empresa, que é totalmente automatizada. “Fiquei encantado com o que eles fazem na Europa. Eles têm tecnologia de trigo e uma estabilidade que nós não temos. A viagem foi uma pós-graduação pra mim,” completa Aloísio Rauber.

Mas é nas parcerias com conceituadas instituições acadêmicas que a agência mostra o seu lado mais educativo. Em julho, a AgroBravo, em parceria com a Iowa State University (ISU), embarcou 25 jovens brasileiros no Programa Empreendedores Sem Fronteiras, uma iniciativa que visa formar novos líderes no agronegócio brasileiro. Foi uma semana agitada, de palestras e aulas ministradas por professores da própria ISU e conferencistas convidados da Fundação Dom Cabral, Chicago Mercantile Exchange e diversas consultorias e fundos de investimento especializados no agronegócio.

“Adorei a programação! As aulas abordam assuntos que a gente não costuma estudar na escola. A semana foi muito legal, com temas como sucessão familiar, canais de financiamento, governança e família dentro da organização”, conta Estela Gavinho, gerente de marketing de uma concessionária John Deere.

A bolsa de US$ 30 mil

A Nuffield International Farming Scholarships (NI) está em dezenas de países, inclusive no Brasil, oferecendo bolsas em pesquisa agrícola para jovens ligados ao agronegócio. A programação inclui diversas viagens que os bolsistas realizam para os países cuja agricultura tem relevância para suas pesquisas. O valor de bolsa é US$ 30 mil e, ao final de 18 meses, os bolsistas entregam seus relatórios (em inglês), que são publicados no site da NI. O Brasil faz parte da rede de parceiros da NI desde 2015 e a AgroBravo cuida da logística de viagens dos no Brasil.

“Eu conheci a Sally Thomson, “embaixadora” da Nuffield no Brasil, na feira Agrobrasília. Mas já tinha ouvido falar neles antes, pois o pessoal da Bom Futuro [maior grupo sojicultor do Brasil] sempre recebeu grupo deles em suas propriedades”, diz Bravo. “A parceria entre a AgroBravo e a Nuffield surgiu pela sinergia existente entre as duas instituições. Além de levar produtores brasileiros para conhecer agro em países mais desenvolvidos, queremos que os estrangeiros venham ao Brasil e conheçam o que nós temos de bom por aqui, e não é pouca coisa”, afirma. Em março deste ano, os bolsistas internacionais participaram da primeira Conferência da Nuffield no Brasil, em Brasília. Foram 35 estrangeiros envolvidos em uma programação intensa, de muito aprendizado e networking social.

As inscrições para as bolsas 2017/2018 já estão abertas. Para mais informações, leia o texto informativo que a Rede AgroServices publicou em 07/08.

Como surgiu a AgroBravo

Bravo conta que sempre teve ligação com o meio agrícola. Ainda universitário, inscreveu um estudo no World Food Prize, um dos maiores prêmios do mundo em desenvolvimento agrícola. O seu trabalho abordava a agricultura familiar praticada em Horizontina, Rio Grande do Sul, onde morava. Foi com esse trabalho que ganhou uma viagem aos Estados Unidos, para fazer um estágio na John Deere em Moline, estado de Illinois, e depois um curso de jornalismo focado no agronegócio na Universidade de Iowa. Voltou fisgado pelo agronegócio.

“Em 2002, quando fazia o curso na Universidade de Iowa, os meus professores de relações internacionais diziam que em menos de 30 anos o Brasil seria o maior produtor de grãos do mundo porque a rentabilidade dos produtores brasileiros era maior que de qualquer produtor no mundo,” conta. Mas como os produtores brasileiros teriam ainda muito a inovar para chegar ao posto de número um do ranking agrícola, Bravo viu na sua história pessoal uma oportunidade de negócio, juntando aprendizados com experiências de relacionamentos.

Saiba mais:
www.agrobravo.com
www.nuffieldinternational.org

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