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29.08.2017

Embrapa e UFSCar criam óculos especiais contra o greening

Filtros especiais aumentam a visibilidade dos sintomas da doença, com ganho de eficiência no combate à praga

Frank Duurvoort - Rede AgroServices

A pesquisa para desenvolver o óculos contra o greening levou três anos até chegar ao produto final
A pesquisa para desenvolver o óculos contra o greening levou três anos até chegar ao produto final
(Foto: Fhocus/Divulgação)
A citricultura tem um novo look. Apesar do visual de acessório de surfista, este par de óculos é a mais nova arma contra o greening, doença que afeta as folhas de árvores cítricas. Com lentes revestidas por um filtro especial, permite ao usuário identificar com maior eficácia o amarelecimento, ou “mosqueamento”, das folhas, que é o principal sintoma da doença, também conhecida por huanglongbing, ou HLB.
 

As lentes dotadas desse filtro especial intensificam o contraste entre as cores verde e amarela, fator que dá maior realce ao aspecto amarelado das folhas e facilita o trabalho de inspeção visual dos pomares. A melhora na visualização da doença gera um ganho de eficácia no combate a HLB com a redução da taxa de erros na identificação da doença. Como as lentes também possuem filtros contra raios ultravioleta (UV), os óculos também funcionam como equipamento de proteção individual (EPI), além de oferecerem maior conforto ao usuário.

Embora facilite o trabalho do inspetor, o invento não dispensa a presença humana no pomar porque o amarelecimento das folhas pode ser sintoma de outros problemas, como déficit de zinco e a existência de um galho quebrado impedindo a passagem da seiva. Só um inspetor experiente pode identificar a causa da enfermidade.

Da pesquisa ao produto

O óculos é resultado da pesquisa de mestrado de Luiz Otávio dos Santos Arantes, realizada no Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos, SP, (UFSCar). Concluída em 2013, sua pesquisa contou com o apoio do professor Nilton Luiz Menegon e da pesquisadora da Embrapa Instrumentação, Débora Milori. O pesquisador também recebeu cerca de R$ 28 mil em suporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A ideia inicial era desenvolver sistemas para proteção contra raios UV, a pedido de uma indústria de suco de laranja, explica Milori. Porém, durante o processo de desenvolvimento do produto, surgiu a proposta de se agregar um filtro adicional nas lentes para destacar os sintomas do greening durante a inspeção visual.

Para atender a essa nova demanda, os pesquisadores chegaram em uma solução com base na chamada Teoria de Cores, na qual para absorver uma determinada cor, um corpo deve refletir a sua cor complementar. Para reduzir a intensidade do verde da folhagem saudável, o filtro adotado utiliza o magenta, que é a cor complementar do verde. Os sintomas do greening daí se destacam mais contra o fundo verde escuro da folhagem gerado pelos filtros.

Entre o estudo de filtros óticos, ensaios em campo e pesquisas em laboratório, o projeto consumiu cerca de três anos até chegar ao produto final. Segundo a UFScar, não há outro óculos do tipo no mercado, embora haja outras tecnologias para a inspeção visual de prevenção a greening. Os inventores acreditam no potencial exportador do produto para outros países produtores de citros, como Estados Unidos, China, México, Espanha e Índia.

O óculos, de tecnologia patenteada, custa entre R$ 210 (lente sem grau) a R$ 275 (lente multifocal) e pode ser adquirido mediante encomenda na Fhocus Optical Solutions, empresa ótica de São Carlos que detém a licença para a fabricação e comercialização da ferramenta.

Greening

Doença de origem chinesa, o greening surgiu há mais de cem anos e é causado por quatro bactérias do tipo Candidatus – a Liberibacter spp., Liberibacter africanus, Liberibacter asiaticus e Liberibacter americanos. O psilídeo Diaphorina citri é o transmissor das bactérias que causam o HLB.

As folhas das plantas afetadas podem apresentar tamanho reduzido e sinais de clorose (amarelecimento), parecido com o sintoma de deficiência de zinco ou de ferro. O amarelecimento causado pelo greening é distribuído de forma assimétrica na folha. Os frutos afetados geralmente são pequenos e deformados e costumam apresentar casca total ou parcialmente verde na porção basal. Também podem apresentar espessamento da parte branca da casca (albedo) e sementes abortadas.

O greening foi identificado pela primeira vez no Brasil, em março de 2004, em Araraquara (SP), e hoje está presente em todas as regiões citrícolas de São Paulo e em pontos isolados em Minas Gerais e Paraná. Em 2016, o HLB afetou 17% dos pomares dos estados de São Paulo e Minas Gerais.

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