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19.06.2017

Cooperativas reduzem diferenças econômicas, diz Roberto Rodrigues

Segundo o ex-ministro da Agricultura, as cooperativas promovem a inclusão social e a paz

SNA

Ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues afirma que “as cooperativas estão inseridas de forma competitiva e eficiente, com direção profissional e focada, prestando os serviços necessários”.
Ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues afirma que “as cooperativas estão inseridas de forma competitiva e eficiente, com direção profissional e focada, prestando os serviços necessários”
(Foto: SNA/Arquivo)
As cooperativas desempenham papel relevante na inclusão social e na mitigação da concentração de riqueza. É o que afirma o coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro) e membro da Academia Nacional de Agricultura, Roberto Rodrigues. Para ele, o cooperativismo oferece alternativas de renda ao cooperado, e com isso reduz a exclusão. “É a doutrina que visa a corrigir o social pelo econômico”, resume o ex-ministro da Agricultura.
 

O executivo, que também é embaixador Especial da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) para o cooperativismo, salienta que as cooperativas se transformaram em empresas que diminuem a concentração de riqueza: “Elas agregam valor às matérias-primas e permitem que as pessoas comuns acessem os mercados mais sofisticados”. Por essas razões, o ex-ministro considera que o cooperativismo “é um promotor e defensor da paz universal”.

Na visão do ex-ministro da Agricultura, “as cooperativas estão inseridas de forma competitiva e eficiente, com direção profissional e focada, prestando os serviços necessários”. Além disso, contam com o apoio de associações que defendem seus interesses.

Rodrigues chama a atenção, nesse aspecto, para o papel desempenhado pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) que, de acordo com o acadêmico, “tem sido um instrumento super valioso para defender as cooperativas no mundo”.

Caso brasileiro

Em cada país há uma organização nacional que defende as cooperativas. No Brasil, a entidade que representa oficialmente o movimento é a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Segundo o coordenador do FGV Agro, a OCB “tem feito um excelente trabalho para a modernização da gestão e da governança em cada cooperativa, até para atender aos objetivos de sua criação”.

A entidade conta com o respaldo da Frente Parlamentar do Cooperativismo, que é composta por mais de 200 deputados e senadores comprometidos com a promoção do modelo associativo e alinhados com o conceito de que as cooperativas representam o braço econômico da organização social.

“Apoiada pela Frente Parlamentar, a OCB tem avançado no cumprimento dos dispositivos constitucionais referentes ao setor, entre os quais se destaca o da autogestão”, afirma Rodrigues.

Ele destaca, no entanto, que por causa de um artigo da Constituição Federal, que estabelece a liberdade de organização e de filiação a instituições de representação, “partidos políticos e entidades que consideram muito liberal a atuação da OCB, querem acabar com a determinação hoje legal de que toda e qualquer cooperativa seja filiada ao sistema OCB”.

Para Rodrigues, “a intenção é de enfraquecer quem defende as coops para então atacá-las mais facilmente”. Porém, ele admite: “Competição é assim mesmo”.

Aspectos básicos

Na opinião do ex-ministro, para que uma cooperativa seja funcional, ela precisa ser vista como necessária por seus cooperados, ter visibilidade econômica e contar com uma liderança capaz de conduzir seu projeto.

Em linhas gerais, Rodrigues acredita que o cooperativismo continua a desempenhar sua função de doutrina inclusiva e redutora das grandes diferenças econômicas. “É uma doutrina da qual as cooperativas são o instrumento”, avalia, chamando a atenção para a necessidade de manter seu caráter de unicidade.

“Dividir a representação cooperativista pode matar as cooperativas e sua competitividade. Isso não interessa a nenhuma nação democrática com propósitos pacíficos”, ressalta.

Premiação

Para o coordenador do FGV Agro, o movimento cooperativista deveria ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, a exemplo de outras iniciativas como a dos Médicos sem Fronteiras.

“Para tanto, sob a liderança da ACI, cada cooperativa e sua respectiva entidade representativa, em todos os países, deve se associar a um programa global de convencimento de seus governos e parlamentos do que seja o papel do cooperativismo na defesa da democracia e da paz”, explica Rodrigues.

“Não será um objetivo facilmente alcançável, mas sem dúvida é viável. E seu sucesso dependerá fortemente de um poderoso programa de propaganda e marketing sobre a cooperação. Afinal, os exemplos a exibir são maravilhosos”, conclui.

Leia esta matéria na íntegra no site da SNA.

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